Opinião: O mito da caverna
As minhas desculpas se estou, porventura, a pretender ensinar Padre-Nosso ao Vigário… Como o mundo vai girando, e o nosso Portugalzinho com ele, tem-me vindo frequentemente à ideia a teoria de Platão sobre a realidade, uma alegoria que ficou conhecida pelo “mito da caverna”. Apresentemos o filósofo: Platão, grego nascido no seculo V AC (que ficou conhecido pelo século de Péricles, tão abundante em boa governação e bons cérebros foi), discípulo de Sócrates. Aliás, o seu verdadeiro nome nem era Platão, mas sim Aristócles. Platão foi alcunha, que queria dizer “costas largas”. Enfim, um fait-divers para não tornar enfadonho o que vem à frente. Sei como, às vezes, saíamos saturados de teorias, das aulas de Filosofia da minha Faculdade… - PLATÃO: Pois então, Platão foi discípulo de um outro enorme filósofo chamado Sócrates. (Nada de confusões! Aquele em que devem estar a pensar é apenas uma versão muito “Kirsh”, é pindericamente intelectual, muito, muitíssimo posterior do primeiro…). Sócrates não era dado às letras, era “barra” nas palavras, principalmente dialogadas. Uma das suas máximas era “o Governo dever ser dado a homens sábios” (Ai Sócrates, Sócrates do século V AC, se tu soubesses!…). Daí que tenha sido o seu discípulo a pô-las em escrito, utilizando para os diálogos entre Mestre e alunos dois dos seus irmãos, principalmente Glauco. Onde eu queria chegar é ao chamado “mito da caverna”, uma alegoria socrática que Platão descreve assim: imagine-se homens numa caverna com apenas uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, acorrentados, de modo a não poderem mexer-se, nem ver senão as sombras do fogo que está numa colina que se ergue nas suas costas, e entre o fogo e os prisioneiros existe uma estrada ascendente, onde constantemente passam homens transportando toda a espécie de coisas. Sendo os da caverna obrigados a ficar imóveis durante toda a vida poderão alguma vez ter visto mais que sombras projectadas pelo fogo na parede que lhe fica de frente? Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras que lhes é possível observar?” E etc, etc, etc. O que, resumindo e concluindo: para essa parte da humanidade o mundo espacio-temporal em que vivem é a verdadeira…E daí?, perguntarão vocências, já suficientemente maçados. Daí, que, postas assim as coisas e dada a verdadeira actual realidade do que se passa cá fora, me leve a desejar ficar antes pela caverna e pelas sombras que a sua parede projecta. Sempre podem ser interpretadas à nossa feição, amaciadas, por assim dizer. Tirando as grilhetas, sem as quais a alegoria não seria possível, a realidade está demasiado contundente, para que tenhamos de a carregar… - CAVERNÍCOLA é o bispo britânico Williamson, seguidor obstinado do francês Lefêbre (mais que cavernícola, cego da cabeça) que continua a afirmar que o Holocausto não existiu, que câmaras de gás para matança colectiva de judeus e outras minorias, pelos nazis, nunca passaram de fantasia, que o que foi, não foi. João Paulo II havia-o excomungado, juntamente com toda a seita. Bento XVI “descomungou-o”, ao britânico, que os outros já por cá não andam. Teria apenas de pedir desculpa, sobretudo às maiores vítimas, que foram os judeus. É o pedes!… E, de resto, para recuperar as cinzas ou as ossadas de quem? Católica, apostólica, romana, que sou, acho que este Papa devia ter deixado as coisas como estavam. Fez tolice. Espero não ser eu também excomungada com esta! Ao que suponho, a questão da infalibilidade do papa já não é dogma e nos outras dogmas da Igreja Católica creio eu, senão pela razão, pela Fé. - SÓCRATES (o actual…) foi eleito, por 90 e tal por cento de votos, secretário-geral do seu partido. Estas percentagens cheiram-me sempre a América Latina ou a África, mas para poder voltar a ser 1º. Ministro (lá vou eu para a caverna!…) assim teria de ser. Como bandeira de nova esperada governação, o casamento dos homossexuais e a segunda tentativa da regionalização. Coisas que nos dão imensa esperança para um futuro melhor. A seguir, podem vir a eutanásia, o incesto, a poligamia, a poliandria. De tanto se ter falado em existência dentro de cavernas, vêm mesmo a calhar!… - LUÍSA MELLO - 19/02/09
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