O caso Freeport e o malhar ministerial
FÔRA A JUSTIÇA MAIS LESTA, OU MAIS INTERESSADA, e este caso do dia seria já caso de há anos. Nunca vi quem tanto se deixasse dormir quando o sol já vai alto!… O que vale é que a procuradora Dra. Cândida Almeida “baralhou” os cabrestos e, em vez de acusar, inocenta. O mesmo para o senhor Procurador Geral da República. Não sou eu que me vou pôr no lugar deles e até posso crer que a troca de lugares seja idónea e se revele uma boa intuição. Mas, que diacho: cada macaco no seu galho! Deixem lá desvendar a trapalhada e apareçam então a gritar nas nossas caras as suas certezas. O que estão a fazer é pôr o carro à frente dos bois. Garanto que até fico contente se no fim da “viagem” não apanharem valente marrada! Temos de concordar que o “novelo” nem Sherlock Holmes seria provavelmente capaz de desenrolar. Mesmo assim, haja prudência e sensatez. E isenção. Como tenho ocasião de dizer já a seguir, o principal visado está todo inocente quanto à questão ambiental. Ainda bem para as avezinhas! O que falta, agora, é apurar uma questão de carácter, o que não é nada de somenos. Apure-se pois, se for possível! Claro que falo do caso Freeport. E DIZEM QUE NÃO HÁ COINCIDÊNCIAS… Ontem à tarde, pus-me a folhear uns poemas de Álvaro de Campos. Por nenhuma razão específica, a não ser a mais óbvia: porque gosto especialmente deste heterónimo de Pessoa. E talvez também porque este tempo de clima em fúria possa condizer com a voz exaltada com que o “engenheiro naval” canta os seus entusiasmos. A páginas tantas, dei com este miminho: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”. Manhã, acordei com a rádio a noticiar: “O Freeport não infringiu as disposições comunitárias sobre o Ambiente”. Concluído e informado por um qualquer principal dignitário dos assuntos ambientais da Comissão Europeia. Não sei se já mataram a charada: o nosso Primeiro-Ministro é como os conhecidos de Campos: nunca leva porrada! Não digo isto com o mais pálido propósito de frustações. Pelo contrário: se alguém não acreditava na alva inocência do Chefe do Governo quanto à desaforada matança de passarinhos pré-histórico, meta já a viola no saco! Livrámo-nos, ó ditosa Pátria, de uma javardice inominável e a justiça pode parar de vasculhar pecados inexistentes, que tem mais que fazer mesmo que não faça… Isto quanto a desmandos contra o ambiente. Precavida, andou a doutora Ferreira Leite que sobre o assunto nem chus nem mus. Olha que vexame agora ter de pedir desculpa! Quando não há certezas, não se deve especular… CERTEZA TENHO EU de ter ouvido há dias o Ministro dos Assuntos Parlamentares afirmar, forte e feio, que gostava era de MALHAR na direita. (Direita que engloba todos os partidos da oposição, excepto o P.S… Exemplo perfeito de abrangência!). Ora aí está um verbo que também não me inibo de aplicar em relação ao Governo… Só que não sou ministro de coisa nenhuma e, por isso, não parece mal. Já o dr. Jorge Coelho, coisinha linda da administração Guterres, tinha uma vez avisado que: “quem se mete com o PS, leva!” Depreendo que é qualquer coisa que esteja lá pelos estatutos do partido e que já tem sido diligentemente aplicada em certos casos. Acho que é de se ficar apreensivo…
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