"Cota"
Acedi ao pedido da criança: ajudá-la a fazer os “deveres de casa”, que a professora havia prescrito. Entre estes, estava uma cópia e um ditado. A criança abriu o seu computador. Perguntei por que o fazia. “Para fazer a cópia!” “No computador?!”, questionei. “Sim, a professora deixa fazer no computador!” Como estava com alguma pressa, acedi a que ela fosse ditando e eu escrevia. Acabámos em escassos cinco minutos. No entretanto, ia questionando: “Mas assim não é possível aperfeiçoar a caligrafia, organizar o raciocínio, etc., etc.” A criança, em presença das minhas reticências, olhava-me, sorria e devia estar a dizer para com os seus botões: “És cá um cota!” Cota ou não, estava com as minhas dúvidas da eficácia desta forma de “trabalhos de casa”. “Mas assim qualquer pessoa pode fazer por ti os trabalhos?!”, insisti. O olhar explicou-me: claro que sim! Afinal era o que estava a fazer! Era bem melhor estar calado! Para além de cota, a criança concluiu certamente, que estava com o “raciocínio lento”. Entretanto, outra criança da mesma turma e com os mesmos “trabalhos de casa” concluiu (e bem!): “Podes depois dar-me uma cópia e já tenho o meu trabalho feito!” Errada por um, errado por dois, pensei. “Está bem, mas deixa alterar algumas coisas, como intervalos entre palavras e outras, para que a professora não se aperceba!” Afinal, o cota é esperto! _ devem ter concluído as duas crianças. Apenas uma nota: na Finlândia, país que o nosso Governo tomou como exemplo na área do ensino, até ao segundo grau as crianças estão proibidas de usar tecnologia nas aulas e no recreio há professores a vigiar, para garantir que as não utilizam. Concluíram que o desenvolvimento do raciocínio e de outras áreas da formação cognitiva, estava prejudicado com as tecnologias, pelo menos nos primeiros anos de aprendizagem! E não me parecem que lá pela Finlândia os mais velhos sejam assim tão cotas!
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