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Clube da Venda Nova: Interrompeu os trabalhos para verificar as contas e tirar a prova dos novos...

por Redacção Soberania em Janeiro 02,2009

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O Resvés, que tem o pelouro da Economia, Finanças e Tesouro da Junta de Freguesia de Águeda, esteve retirado, com licença sabática, a elaborar o difícil Orçamento e Plano para 2009 daquela autarquia. Não podia correr o risco de, em Assembleia, o orçamento não ser aprovado e ter que governar em duodécimos.
A assembleia reuniu e ele falou: “Fiz um trabalho criterioso para obter o vosso acolhimento. Vi com rigor as receitas que provêm da dotação do Estado e do Clube, das taxas dos cemitérios e dos cães...”.
“Se cobrássemos as taxas dos cães que andam por aí à solta, teríamos um activo muito maior” interrompeu, com alguma ironia, e até veemência, o Paulo Terra de Trigo.
”Em contraponto - continuou o Resvés - estudámos as aplicações do erário em equipamento e obras, que são sempre feitas a pensar em todos os que nos elegeram e nos merecem todo o respeito”.
Levantou-se, fez uma vénia e, com o braço,  um gesto abrangente, desenhando um semi-círculo.
”Como vêem, as obras são de vulto, designadamente o alindamento do Largo de Rio Côvo, o alargamento de Ruas em Paredes, a limpeza de valetas na Maçoida, colocar cristas nos galos de diversos campanários... e também a modernização do parque de máquinas, a compra de carros-de-mão com rodas de poliester, uma gamela para o “dumper”, dois kites de enxadas e picaretas de aço chinês, casacos fosforescentes de cantoneiro, regadores com crivo e cano comprido, etc..”, anunciou o presidente Rogério Estrelado.
“Todas as contas foram feitas com rigor, para evitarmos um orçamento rectificativo, que traria dissabores”, acrescentou o Manuel Resvés, sublinhando que “ algumas obras até já foram adjudicadas e algum equipamento já foi comprado...”.
O Figueiredo Parado, que esteve a ler atentamente os documentos que lhe foram entregues, pediu a palavra e perguntou:
“Então, quanto é que acha que temos para gastar?”.
”Trezentos mil euros - informou o Resvés - o senhor não sabe ler?”.
”Sei ler e bem - respondeu o Figueira Parado  - e sou especialista em números. Feitas as contas tem aqui só duzentos e quarenta mil...”.
Gerou-se grande burburinho e o Loureiro Otelindo, presidente da assembleia, interrompeu os trabalhos por cinco minutos, para o Manuel Resvés verificar as contas e tirar a prova dos noves.
Retomados os trabalhos, Manuel Resvés pediu a palavra e disse: ”Realmente houve um engano lamentável, as despesas são superiores às receitas em 60 mil euros, peço imensa desculpa...”.
“Mas o senhor já no ano passado se enganou - interrompeu o Figueiredo Parado - se não sabe fazer contas, não pode ter o Pelouro da  Economia, Finanças e Tesouro!”.
“Errar é humano - desculpou-se o Manuel Resvés -  e agora já não há tempo para alterar nada. Portanto, o melhor  é mantermos este plano e orçamento e fazer as obras programadas....”.
”E onde é que vai arranjar o dinheiro que falta?”, retrucou o Figueiredo Parado.
”Olhe, fazemos como os outros, pedimos um empréstimo que alguém há-de pagar.... Amanhã passo pelo seu banco!”, rspondeu o Resvés.
Alguém contou o caso ao Brás dos Kiwis, que sobre ele compôs este poema:
Enganou-se o Resvés
Nas contas do orçamento
Já pela segunda vez!
O que é mesmo um tormento!

Para pagar as gamelas
 E também carros-de mão
É que vão ser elas!!!
Porque não há um tostão!

E diz o Resvés, prazenteiro
Que por se ter enganado
Vai pedir o dinheiro
Ao Figueiredo Parado!
E fica o caso arrumado!!!


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