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Clube da Venda Nova: Interrompeu os trabalhos para verificar as contas e tirar a prova dos novos...
O Resvés, que tem o pelouro da Economia, Finanças e Tesouro da Junta de Freguesia de Águeda, esteve retirado, com licença sabática, a elaborar o difícil Orçamento e Plano para 2009 daquela autarquia. Não podia correr o risco de, em Assembleia, o orçamento não ser aprovado e ter que governar em duodécimos. A assembleia reuniu e ele falou: “Fiz um trabalho criterioso para obter o vosso acolhimento. Vi com rigor as receitas que provêm da dotação do Estado e do Clube, das taxas dos cemitérios e dos cães...”. “Se cobrássemos as taxas dos cães que andam por aí à solta, teríamos um activo muito maior” interrompeu, com alguma ironia, e até veemência, o Paulo Terra de Trigo. ”Em contraponto - continuou o Resvés - estudámos as aplicações do erário em equipamento e obras, que são sempre feitas a pensar em todos os que nos elegeram e nos merecem todo o respeito”. Levantou-se, fez uma vénia e, com o braço, um gesto abrangente, desenhando um semi-círculo. ”Como vêem, as obras são de vulto, designadamente o alindamento do Largo de Rio Côvo, o alargamento de Ruas em Paredes, a limpeza de valetas na Maçoida, colocar cristas nos galos de diversos campanários... e também a modernização do parque de máquinas, a compra de carros-de-mão com rodas de poliester, uma gamela para o “dumper”, dois kites de enxadas e picaretas de aço chinês, casacos fosforescentes de cantoneiro, regadores com crivo e cano comprido, etc..”, anunciou o presidente Rogério Estrelado. “Todas as contas foram feitas com rigor, para evitarmos um orçamento rectificativo, que traria dissabores”, acrescentou o Manuel Resvés, sublinhando que “ algumas obras até já foram adjudicadas e algum equipamento já foi comprado...”. O Figueiredo Parado, que esteve a ler atentamente os documentos que lhe foram entregues, pediu a palavra e perguntou: “Então, quanto é que acha que temos para gastar?”. ”Trezentos mil euros - informou o Resvés - o senhor não sabe ler?”. ”Sei ler e bem - respondeu o Figueira Parado - e sou especialista em números. Feitas as contas tem aqui só duzentos e quarenta mil...”. Gerou-se grande burburinho e o Loureiro Otelindo, presidente da assembleia, interrompeu os trabalhos por cinco minutos, para o Manuel Resvés verificar as contas e tirar a prova dos noves. Retomados os trabalhos, Manuel Resvés pediu a palavra e disse: ”Realmente houve um engano lamentável, as despesas são superiores às receitas em 60 mil euros, peço imensa desculpa...”. “Mas o senhor já no ano passado se enganou - interrompeu o Figueiredo Parado - se não sabe fazer contas, não pode ter o Pelouro da Economia, Finanças e Tesouro!”. “Errar é humano - desculpou-se o Manuel Resvés - e agora já não há tempo para alterar nada. Portanto, o melhor é mantermos este plano e orçamento e fazer as obras programadas....”. ”E onde é que vai arranjar o dinheiro que falta?”, retrucou o Figueiredo Parado. ”Olhe, fazemos como os outros, pedimos um empréstimo que alguém há-de pagar.... Amanhã passo pelo seu banco!”, rspondeu o Resvés. Alguém contou o caso ao Brás dos Kiwis, que sobre ele compôs este poema: Enganou-se o Resvés Nas contas do orçamento Já pela segunda vez! O que é mesmo um tormento!
Para pagar as gamelas E também carros-de mão É que vão ser elas!!! Porque não há um tostão!
E diz o Resvés, prazenteiro Que por se ter enganado Vai pedir o dinheiro Ao Figueiredo Parado! E fica o caso arrumado!!!
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