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O que a vida mostra e o que ela esconde...

por Manuela Coutinho em Janeiro 02,2009

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A rúbrica que titula este texto era a que sempre lia com atenção na Crónica Feminina, dos meus tempos de menina e moça.
Engraçado que, sempre havia um conceito formativo, procurando ensinar que a vida tinha muitas contradições, que havia pontos de vista que ignorávamos, que não éramos detentores da verdade, porque ela ocultava situações que, por vezes, invertiam todo um julgamento anteriormente feito.
Estamos no Natal, supostamente a festa da família. Provoquei com o meu supostamente? Bom, mas foi efectivamente a minha intenção, devo confessar.

Magia de Natal

Recuso-me a dizer que estou a envelhecer, só porque recordo com ternura os Natais de outro tempo.
Em menina, o Natal tinha algo mágico para mim. Durante muitos anos, minha mãe, eu e empregada de momento (porque tivemos várias) íamos fazer, por esta época, um passeio muito peculiar, muito especial, com um objectivo único - arranjar musgo, plantinhas perto de pequeninas nascentes, e um pinheirinho.
Colhíamos material para o presépio (religioso) e o pinheirinho (profano), árvore de Natal de todos os anos, durante muitos anos.
Bom, como eu gostava de ver na consoada os meus avós maternos e a avó paterna (viúva).
Era uma azáfama para minha mãe, mas era sempre o mesmo: bacalhau de “boa lasca” (que esteve a demolhar dois dias), a boa da pescada, também de “lasca”, couve portuguesa e as boas batatas. Havia também bolinhos a acompanhar os bons pastelinhos, fofinhos, de bacalhau.
As guloseimas da época, rabanadas, filhós, bolo-rei, sonhos, fruta cristalizada, nozes, pinhões e avelãs. Claro está, tudo bem regado com um tintinho, para os adultos.
Antes da meia-noite, lá iam os meus avós de comboio, para o seu casarão de Eixo. Não havia perigo nenhum.
Tempos houve de alterações, por falecimentos, casei, tive dois filhos. As consoadas, por razões várias, foram sempre em Águeda mas o Dia de Natal era sempre em Sanfins de Rocas, terra de meu falecido marido.
Cheguei a fazer, durante anos e anos, cinco presépios, por época: um na Amadora e outro na casa da Ericeira, na escola fazia o presépio principal e o da minha sala de aulas.
Chegava a Águeda e dava uma mãozinha, mas a vida, com os seus ciclos, com as suas peripécias, fruto de vários factores, mortes e não só, tem invertido a minha magia de Natal.

Natal de 2008

Este ano de Natal, por exemplo, procuro desdramatizar o que está a acontecer. Não me imponho a nada, nem a ninguém. Assim, o meu Natal foi antecipado. Neste momento em que escrevo, estou em paz, feliz, e passei o Natal antes do calendário. A noite passada, foi a minha consoada, procurei dar-lhes todo o brilho possível, a mesa estava impecavelmente posta.
O meu serviço de Natal, cumpriu uma vez mais a sua função.
Tudo saiu perfeito, houve um convívio harmonioso. Meu filho mais novo, minha nora e meus netinhos, de 3 e 8 aninhos, estavam comigo (vindos de Lagos, onde vivem). Aliás, eu devia isso mesmo a eles, que à minha mãe e a mim, já há alguns anos, por esta época, nos recebiam para a consoada.
Bem, mas a noite passada dormi com os meus dois netinhos de Parada. Custei a adormecer e agradecia ao Alto aquele momento maravilhoso que estava a passar, ao mesmo tempo que os olhava enternecida, à luz ténua do meu candeeiro da sala.
Hoje, antes de tomarem o avião para Paris (minha nora é francesa), foi o meu dia de Natal. No dia 28, regressarão para irem para Lagos, pois meu filho tem eventos a cumprir.
As pessoas combinam as coisas umas com as outras, a tempo de se fazer acertos, de forma a uma convergência plena, mas há quem não prefira assim. Bom, há que respeitar e sofrer as consequências.
Jesus Cristo não conseguiu nem ontem, nem hoje, agradar a todos. Logo, eu não posso ter esse veleidade.
Certo?

Bom ano novo

Resumindo e concluindo: Quando se tem conhecimento dum procedimento de alguém, que, no nosso entender é menos correcto, dêem, no mínimo, o benefício da dúvida, até porque sabemos apenas de um lado.
Não esqueçam, pois, que, mesmo ouvindo os dois lados, podemos errar e fazer um juízo de valor incorrecto, porque a vida mostra, mas esconde muito mais...
É a mensagem que quero entregar para todos aqueles que leram o que escrevi e gostaria que a interiorizassem.
Um Bom Ano Novo, da aguedense amiga.


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