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Opinião: Balanço de 2008 e as contas desportivas
É tempo de balanço. De olhar para trás, fazer contas ao deve e haver do ano, elaborar o balanço final e apurar os resultados do exercício. Um breve exercício de mal dizer, porque, nestas coisas de retrospectivas, o bom rapidamente se esquece e o mau, sempre alimenta este diabinho que existe dentro de nós e aguça o apetite dos leitores. Por uma questão de critério (como se houvesse critério nesta arte de salivar maldades, vamos atribuir salvas de prata para quem se distinguiu para o melhor e de lata, para quem se distinguiu pelo pior. Figura nacional
Salva de prata: Cristiano Ronaldo.
Não sou um particular fã deste jovem talento, como terão oportunidade de verificar, mas o título de Bola de Ouro não pode ser escamoteado. É vê-lo a correr pelas alas ou pelo centro, endiabrado, com as suas fintas paralisantes, explosivo, uma autêntica chita a devorar gazelas, por aquela pradaria vestida de verde, animado pelo ulular das hostes, sempre com a menina grudada aos pés, até ela cobrir de glória o véu sagrado da baliza. Marcou golos para todos os gostos e fez colorir no mapa do mundo, as letras de Portugal. Mas há sempre o lado negro da lua…
Salva de lata: Cristiano Ronaldo
Fora daquela máquina terrível e bem oleada do Manchester United, na selecção, o Ronaldo nunca existiu. Perdido, indisciplinado, arrogante, vedeta a exigir vassalagem, tem sido uma sombra do que mostra, como peça de um motor de altíssima cilindrada, no team inglês. Depois, confesso que me perturba este culto de personalidade triturante, com o rapazinho fútil e grosseiro a capear revistas e a encher ecrans, com a sua vida privada risível, numa monstruosa acção de marketing, promovida por interesses financeiros que movem milhões e milhões. Uma idolatrização que reflecte o tipo de sociedade em que vivemos, uma sociedade desvalorizada, decadente e injusta.
Jogos Olímpicos Salva de prata: Nelson Évora
Foi ele, Nelson Évora, que salvou a honra do convento, que estava presa pelo fio de prata da Vanessa Fernandes. Até então, a comitiva olímpica ia ardendo no lume brando do facho pouco olímpico da sua prestação. Uns, queixavam-se do brilho das luzes, outros, da falta da caminha matinal, uns, queixavam-se dos outros e os outros, da vida, com a comunicação social a cilindrar a nossa representação. Até que surgiu o nosso campeão! Numa luta renhida, com cada salto a superar o anterior, foi sofrer até ao fim… e no fim, coube-nos a medalha de ouro. Mandando às malvas as críticas, redimidos no Nelson, ressurgimos ao terceiro dia, com lugar garantido no Paraíso.
Salva de lata: Vicente de Moura
O comandante foi o primeiro a abandonar o navio. Quando as críticas subiam de tom e os resultados não apareciam, quando o navio parecia naufragar, Vicente de Moura não resistiu e demitiu-se. Nelson Évora apareceu, a tempestade passou, a glória surgiu e Vicente de Moura deu o dito pelo não dito. Poder, a quanto obrigas!
Futebol nacional Salva de prata: Futebol Clube do Porto
Pode ser discutível a pureza da génese do crescimento e poderio do Porto, mas é inquestionável a supremacia que o clube tem exercido, no panorama do futebol português, nas últimas décadas. Contra ventos e marés, contra o Apito Dourado, Carolina Salgado, Michel Platini, Manuela Morgado, PJ e Tribunais, o núcleo duro da direcção, com disciplina férrea, organização e profissionalismo, conseguiu blindar a equipa e mantê-la na senda dos títulos. Até quando?...
Salva de lata: Estrela da Amadora
A ponta de um iceberg, de dimensões desconhecidas. Talvez a primeira peça de um dominó que ameaça ruir fragorosamente. Que futuro, para este futebol?
Desporto concelhio Salva de prata: Ana Cachola
Títulos não lhe faltam: Campeã europeia de juniores em 2005, bi-campeã de sub-23 em 2004 e 2006, medalha de bronze no Europeu de 2003 e agora, de 2008. Esta atleta local, a representar o Judo Clube do Algarve, é uma das pérolas do nosso colar. Á falta de uma salva de ouro (a palavra não rima com lata), é para ela, a nossa salva de prata. A Bem da Nação n Nelson Leal nelsonmnleal@gmail.com
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