Aguada de Cima: Estudantes da EB 2,3 contra Estatuto do Aluno
Número significativo de alunos da Escola EB 2,3 de Aguada de Cima manifestou- -se, ao princípio da manhã de sexta-feira, dia 5 de Dezembro, à porta do estabelecimento de ensino, contra a política do Ministério da Educação.
O sistema eléctrico do portão da escola foi cortado, vários contentores de resíduos foram deslocados para a entrada principal e pequenas barreiras impediram a circulação de veículos, entre a estrada principal e a EB 2,3 de Aguada de Cima.
DEMISSÃO DA MINISTRA
Os alunos concentraram-se manhã cedo e gritaram palavras de ordem para exigir a demissão da ministra da Educação, mostrando-se descontentes com o novo regime de faltas, o estatuto do aluno e até o regulamento interno. No topo da contestação esteve o regime de faltas, que, dizem os estudantes, “não salvaguarda os nossos interesses”. Daniel da Costa Rocha, de 12 anos, mostrou-se “contra os testes de recuperação a que somos sujeitos, sempre que faltamos por motivo de doença”. “Se eu faltar, por exemplo, devido a um problema de saúde, sou obrigado, no regresso às aulas, a fazer um teste sobre matéria a que não assisti e corro o risco de chumbar a essa disciplina”, explicou Daniel Rocha, do 7º. ano. Cristiana Guimarães, também do 7º. ano, foi mais contundente: “A ministra tem que ir para a rua! Não a vejo com capacidade para dirigir os assuntos do ensino e da educação, de forma a satisfazer os alunos e os professores”. “O novo estatuto do aluno é uma perfeita aberração!”, acrescentou Cristiana Guimarães, de 14 anos, debaixo de um sonoro coro de protestos dos alunos que a ladeavam. “Estamos em luta porque queremos ver alteradas as políticas de educação que se pretendem implementar”, disse a aluna.
ALUNOS UTILIZADOS PELOS PROFESSORES
Junto à entrada da escola, era visível o descontentamento de alguns pais, face à posição assumida pelos alunos. ”Esta é a imagem do país que temos”, dizia um dos encarregados de educação. “Vamos ter que tomar medidas porque esta manifestação foi uma vergonha!”, revelou um membro da Associação de Pais, nas imediações da escola, preferindo o anonimato. “Os alunos foram claramente utilizados pelos professores! Eu era contra a ministra, mas, olhe, já não sei quem é que tem razão!...”, acrescentou o encarregado de educação. “Se os professores tinham a chave para abrir a porta lateral da escola, porque razão é que não a abriram e se apressaram a telefonar para a SIC?”, questionou o avô de um aluno da EB 2,3 de Aguada de Cima. “Por amor de Deus! Essa leitura não corresponde minimamente à verdade. Pelo menos que eu tenha conhecimento...”, referiu Cecília Mota, presidente do Conselho Executivo, quando confrontada com as acusações de um membro da Associação de Pais. Segundo a docente “o portão só não foi aberto mais cedo, porque pensei que pudessem ter havido actos de vandalismo dentro da escola e, nesse caso, as instruções que temos da GNR, é para abrir as portas só na presença das autoridades”. A situação na EB 2,3 de Aguada de Cima ficou normalizada pouco depois das 10 horas, com a chegada de cinco elementos da GNR de Águeda.
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