Valongo do Vouga: Enxurradas a mais no "progresso" do Moutedo
“A culpa é da IP5!...”, acusam as gentes da terra. E apontam, sem embaraço, para o cimo, onde se vislumbram os “railes” da auto-estrada que ladeia o Moutedo. Algum entulho acumulado, junto ao lavadouro, vai ilustrando, melhor do que as palavras, as razões da revolta popular.
A vinda da furgoneta do peixe, é sempre pretexto para se acertarem causas, se desfiarem razões e encontrar soluções, enquanto o senhor Jaquim, vai pesando o carapau para a dona Célia. E as causas, ali estavam, ancoradas na encosta, a ameaçarem as hortas e courelas da vizinhança. Tudo começou com o abandono do troço antigo da IP5, cortado, naquele local, pela actual via, mais segura, da nova A25. Uma confluência, no entanto, muito pouco segura. A água das chuvas, quando cai mais do que devia, acumula-se na junção dos dois troços, segue o seu rumo, nem sempre previsível, ribanceira abaixo, ladeia o lavadouro, e escoa-se, sem tino, encarreirada pela conduta que atravessa a estrada municipal, pelas terras vizinhas do outro lado da estrada. “O senhor Lino é um dos mais prejudicados”, disse Célia Martins, a apontar para o terreno hortícola, do outro lado da estrada. “Quando chove muito, é um ai Jesus para muita gente”. “E o meu filho que o diga, que já são grandes os prejuízos por causa disto…”, adiantou a vizinha, sem querer acrescentar mais nada. Um assunto de há muito, nas gavetas da vereação camarária. Com promessa de solução. Sempre adiada. “Que S. Pedro nos ajude!”, rogou a dona Célia Martins.
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