Beco: Lixeiras a mais, civismo a menos?
Gostaria o leitor de dar um passeio, num destes fins-de-semana, por esses encantadores pinhais da nossa terra, respirar o ar ainda puro que nos resta e desfrutar da serenidade que só a natureza garante, para compensar o desgaste de uma semana de trabalho?
Convidá-lo-ia a andar por aqui, pelos arredores do Beco, onde encontraria, decerto, verdadeiros postais de louvor ao bucolismo. Mas não o convido, apesar dos postais e da quietude. Porque iria ficar envergonhado com o que por ali se passa. As lixeiras parecem cogumelos de mau cheiro, a acumularem-se ao virar de cada caminho florestal. E começam logo a umas poucas dezenas de metros da estrada municipal. Entulho, pneus, sacos de lixo trespassados por cães famintos, electrodomésticos cheios de ferrugem, mobiliário sem pernas, latas vazias, trapos descorados, tudo ali se acumula, sem jeito e sem vergonha. Numa delas, um brincalhão, de um dos lados do caminho, pôs um sofá esventrado e do outro uma mesa sem uma perna, com os restos de um televisor em cima. Sobre o assento do sofá, um letreiro, a informar: “Sala de Estar”. Até onde chegou a falta de civismo, de respeito pelo próximo e pelo ambiente de alguns ditos senhores que por aí andam, impunes…! Só com maior vigilância e penas exemplares se poderá pôr cobro a estes crimes e castigar os criminosos. Só com outro modelo de educação, a começar nas famílias e a continuar nas escolas, se erradicará, de vez, este flagelo. Entretanto e enquanto o figurino não muda, faço um apelo e uma sugestão. Limpem as nossas florestas destes “postais” de mau gosto e sensibilizem as populações para este flagelo. Que elas próprias sejam os verdadeiros vigilantes daquilo que é mais precioso e de todos nós.
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