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Águeda: Coro do Orfeão está cheio de vida e com vontade de fazer boa música!

por Redacção Soberania em Novembro 21,2008

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Paulo Zé Neto nasceu em Outubro de 1974 (34 anos) e assumiu a direcção artística do Coro Misto do Orfeão de Águeda, em Novembro de 2005.  

Em vésperas de dirigir a emblemática colectividade de Águeda em Praga, capital da Republica Checa, Paulo Zé Neto fez um balanço dos últimos três anos à frente do coro misto, distribuiu elogios pelos coralistas e dirigentes e referiu-se a “um Orfeão de Águeda cheio de vida e com vontade de fazer boa música!”.
SOBERANIA DO POVO (SP): Cumpre, este mês, três anos na direcção artística do Orfeão de Águeda. Como é que encontrou o coro misto?
PAULO NETO (PN): O Orfeão de Águeda ficou um pouco debilitado com a saída de algumas pessoas, que eram a imagem do coro. Foi necessária uma enorme capacidade de mudança e boa vontade das pessoas que ficaram, pois o método e a pedagogia instituídos são bastante diferentes daquilo que vinha sendo praticado no seio do coro misto.   
SP: De Novembro de 2005 para cá, o que é que mudou?
PN: O Orfeão está, sem dúvida, cada vez mais rico musical e pessoalmente, diria até, que mais valorizado socialmente. A vontade do grupo em trabalhar com outras associações e com outros agrupamentos musicais é, efectivamente, generalizada e recíproca. Temos trabalhado em vários projectos sempre com a preocupação de garantirmos, em primeiro plano, a qualidade musical. É, sem dúvida, um Orfeão de Águeda cheio de vida e com vontade de fazer boa música!

ORFEÃO RENOVADO
 
SP: O Orfeão de Águeda renovou as vozes do seu coro misto. Podemos entender isso como um sinal dos tempos modernos?
PN: O Orfeão desenvolve um trabalho bastante heterogéneo em relação ao repertório que executa. Não só o clássico, mas também o pop, rock, popular, jazz e outros. Se o facto de cantarmos todo o tipo de música trás vozes novas para o coro, então, ainda bem. Hoje, a maioria das novas vozes que estão, de pedra e cal, no seio do coro, são alunos do Conservatório de Música de Águeda, que sempre estiveram ligados ao meu trabalho e que me conhecem bem.
SP: Acha importante essa ligação do Orfeão de Águeda ao Conservatório de Música de Águeda?
PN: Acho e devo dizer que só não existe uma ligação maior ao Conservatório de Música, porque algumas pessoas não querem, o que é uma pena. O tempo vai-me dar razão! Mas deixe-me voltar um bocadinho atrás, para lhe dizer que temos vindo a assistir ao retorno de algumas pessoas que faziam parte do coro, que tinham rompido com a anterior direcção e que se voltam a encontrar com este novo Orfeão.
SP: Quais são os momentos mais marcantes desta caminhada?
PN: O primeiro concerto do Orfeão, sob a minha direcção, em Belezaima do Chão, em Dezembro de 2005; as festividades de aniversário do coro, em Junho de 2006; o projecto que envolveu todas as associações da Casa do Adro (Sons do Adro); e, mais recentemente, o concerto com Vitorino e com a Companhia Demente, que encheram o Cine Teatro S. Pedro. Realço, também, os projectos com a d’Orfeu, nomeadamente o Rio Povo e os Toques do Caramulo.  

SONHO DO CD

SP: Quais são as metas futuras?
PN: Gostaríamos de gravar o primeiro CD, apenas com o Orfeão e só com canções da região de Águeda. Cada concerto é, também, uma grande meta, porque o repertório está sempre em constante alteração. Aquela “história” de preparar cinco ou seis peças para fazer durante todo o ano e repeti-las em todos os concertos, já lá vai. O público está cada vez mais exigente e nós também.
SP: Em que pé se encontra o sonho da edição do CD?
PN: Estou na fase final dos arranjos para o coro, de modo a ter, se não a totalidade das peças, pelo menos, a maioria de arranjos originais. Espero que seja um projecto a apresentar no nosso aniversário, em Junho de 2009.
SP: Tem surpreendido o meio cultural local com uma série de iniciativas. O que é que se pode esperar de si no futuro imediato?
PN: O mesmo de sempre. Eu tento sempre surpreender quer musicalmente, quer  a nível das parcerias com diferentes grupos. Até final deste ano temos a agenda bem preenchida, com concertos em Águeda, Praga, Leiria, Mação e Ois da Ribeira. Estão também em incubação alguns projectos para o próximo ano, mas não queria, para já, desvendar o seu conteúdo.
CORALISTAS DEDICADOS

SP: Quais são os seus sonhos no mundo da música?
PN: Sinto-me bastante realizado profissionalmente. Trabalho, quase a tempo inteiro, para a Casa da Música, onde desenvolvo projectos para bebés, crianças e adultos. É, sem dúvida, o melhor sítio para trabalhar na área educativa a nível nacional. Tenho os meus alunos do Conservatório de Música de Águeda e o meu Orfeão, com o qual tenho passado experiências incríveis e onde tenho ensinado e aprendido muito. Por isso, nunca é de mais felicitar os componentes do coro, cuja dedicação e boa disposição ajudam e facilitam o trabalho. Palmas para eles!
SP: Mas ainda não nos falou dos seus sonhos...
PN: Não nego que sonho com o doutoramento, mas esta é uma ambição que está em stand-by, ou seja, à espera de uma altura mais desafogada. Um passo de cada vez! O sonho de cada homem passa também pela sua família. Se a minha se encontra bem, eu também me sinto bem. Aproveito para um agradecimento especial à minha esposa, Catarina, e à minha filhota, Alice.

DIRECÇÃO INCANSÁVEL

SP: Como é que a direcção se tem envolvido na dinâmica que tem empregue ao coro misto?
PN: Tem sido incansável, quer na preparação de eventos - e devo reconhecer que, por vezes, as ideias são megalómanas - quer na vida burocrática do grupo. Nunca se escuta um “não se faz”. Tudo se torna fácil quando temos, nos corpos gerentes, pessoas ligadas à música e que são os primeiros críticos pela positiva e pela construtiva (risos). Assim, nada é impossível e trabalhar de “costas quentes” é muito mais fácil.  
SP: Que Orfeão de Águeda teremos, este fim-de-semana, na homenagem a Manuel Alegre?
PN: Estamos preparados para, em conjunto, fazermos um grande espectáculo. A música é mais forte que qualquer divergência! Toda a mágoa que possa existir com certas e determinadas pessoas, não é esquecida, mas é deixada fora do palco, sem que se perceba que ela alguma vez existiu. Quero, desde já, deixar uma palavra de apreço ao Luís Cardoso, compositor da obra, pela qualidade da peça.

 

Digressão a Praga

 

Vamos fazer o nosso melhor...

 

SP: Como é que encara a digressão do Orfeão à Republica Checa na próxima semana?
PN: É uma oportunidade para vermos e ouvirmos coisas novas. É, talvez, a melhor forma de aprendermos! Vamos fazer o nosso melhor... Não seria verdadeiro se não dissesse que gostaria de trazer um prémio, mas a concorrência é feroz e o importante é participar. Tenho bastante confiança no grupo e sei do que são capazes.
SP: E os componentes do coro misto do Orfeão de Águeda como é que se estão a preparar para este desafio internacional?
PN: Temos tido uma agenda bastante preenchida e não temos tido tempo para pensar nisso. Mas é evidente que a alegria e a boa disposição, com uma pitada de ansiedade, reinam no grupo.
SP: Que Orfeão de Águeda promete para o 18th International Festival of Advent and Christmas Music?
PN: Um Orfeão de Águeda ao melhor nível. No nosso repertório figuram peças clássicas, jazz e populares natalícias portuguesas. De certeza que iremos impressionar o público checo e  não deixaremos mal as gentes de Portugal e, muito particularmente, as gentes de Águeda.
 


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