Para onde foram as palmeiras?
Ainda ontem elas ali estavam, soberbas, frondosas e imponentes, a abrir alas ao Tribunal de Águeda. Em dias de calor, era um regalo pairar por ali, pela Fernando Caldeira, sombreados pelas palmeiras que davam um colorido africano ao espaço, à espera que a canícula passasse. Um espaço agradável e que, de algum modo, tingia com tons cor-de-rosa, a fealdade arquitetónica de alguns edifícos envolventes, numa zona que pretendia ser também nobre, entre as nobres da cidade. Sempre ouvi dizer que gostos não se discutem, mas também, desde o 25 de Abril, que se tornou voz corrente que quem manda é o povo. Se o meu sentido estético não comunga o verbo “enfeitar” com o da douta figura que entendeu ficar na história, mais pela cirurgia botânica do que pela liturgia democrática, permita-me, excelência, que lhe faça dois reparos e um louvor. Um reparo, prende-se à circunstância de quem nem tudo o que luz é ouro. Ou seja, dar maior luminosidade ao espaço, em nada acrescenta à beleza e muito menos ao conforto dos munícipes. O outro, que, em assuntos tão delicados como o da formosura da terra, composta por ícones públicos, zonas ribeirinhas, marcos históricos, palácios, jardins, estátuas, estatuetas e todo o resto com que o povo se identifica e lhe garante idiossincrasia, o povo seja ouvido antes, para que lhe não cresçam, Excelência, desproporcionadas orelhas de burro, nesse provavelmente belo rosto autarca. O louvor e, por isso, a merecer novo parágrafo, tem a ver com o local escolhido para a implantação de alguma desta africana prótese botânica: em frente à piscina municipal de Macinhata do Vouga e mesmo ao lado do campo de futebol da Atlética Macinhatense. Se o espaço não garante a dignidade que a majestade das palmeiras exige, o lugar do Beco muito aprecia e o povo macinhatense muito agradece. Nelson Leal
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