O presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Baixo Vouga (CCAMBV) disse a SP que “as instituições financeiras estão com níveis de endividamento muito para além do razoável, pelo que urge repensar um conjunto de medidas e estratégias, que ajudem a actual situação de desequilíbrio”.
Não é o caso da CCAM do Baixo Vouga, que “está em “crescimento contínuo e em fase de consolidação!”
SP: O que pensa da actual crise financeira que assola o mundo e também Portugal.
JLQ: Estou em crer que estamos em presença da maior crise económica e financeira vivida nos últimos anos. Estou certo que, mais ou menos, todos nós, portugueses, estamos conscientes da situação muito débil e difícil em que nos encontramos, até porque sentimos, de forma penosa, a actual crise, no nosso dia a dia. Tudo o que possa dizer ou, acrescentar, já foi dito repetidamente e com persistência em todos os meios de comunicação social, pelo que as minhas palavras mais não são que um comentário e sentimento pessoal, que vai na linha de muitos outros.
SP: Como se tem comportado a banca portuguesa, neste cenário de crise nos mercados financeiros internacionais.
JLQ: Com maior ou menor dificuldade, lá se vai aguentando. Não podemos esquecer que há, neste momento, escassez de recursos financeiros disponíveis, a par de um super-endividamento generalizado no seio das famílias portuguesas. Se acrescentarmos a isto o acentuar do desemprego, logo se percebe que o papel da banca portuguesa vai ser importante e fundamental na ajuda, tendo em vista a saída da crise, no mais curto espaço de tempo.
SP: E sairá?
JLQ: As instituições financeiras estão, também elas, com níveis de endividamento muito para além do razoável, pelo que urge repensar um conjunto de medidas e estraté-gias, que ajudem a solucionar a actual situação de desequilíbrio. Nada será mais igual, tudo será diferente e difícil para a conquista de um sorridente futuro longínquo.
SP: Tempos muito difíceis?
JLQ: Tempos difíceis. Veja-se a acentuada quebra de resultados dos bancos portugueses. Não vai muito longe o tempo em que a banca era o sector de actividade que melhores resultados apresentava. Por esse facto, na grande maioria dos casos era acerrimamente criticada. Posso pensar que, eventual e pontualmente, no curto prazo, venha a ser penalizada e igualmente criticada pelos eventuais resultados negativos, ou menos agradáveis, que possa vir a apresentar.
SP: Como se tem comportado e situa o Grupo Crédito Agrícola, neste cenário?
JLQ: Dadas as suas características próprias, está claramente em contra-ciclo com a demais banca. Os resultados do grupo, em Setembro de 2008, eram os mais elevados dos últimos anos. Não podemos esquecer que o Crédito Agrícola é um banco monomarca, sem dependências externas. Dadas as suas características e à sua proximidade às comunidades locais, não se deixou intoxicar com produtos de elevado risco, até porque não opera nesses mercados.
SP: Os reflexos da crise sentem-se na CCAM Baixo Vouga?
JLQ: A CCAMBV vive o presente e projecta o futuro com cuidados redobrados. Estamos a desenvolver a nossa actividade com muita confiança e responsabilidade. A nossa dedicação tem de ser a mais elevada de sempre. Continuamos a inovar, trabalhando ainda mais, tendo em vista a manutenção de elevados padrões de qualidade. A excelência na organização será, por certo, o melhor caminho, rumo ao futuro.
SP:O Grupo Crédito Agrícola também vai recorrer às ajudas financeiras do governo?
JLQ: Não, quanto me é dado a saber. O grupo não necessita desse apoio. Veja-se, a título de exemplo, que a CCAM do Baixo Vouga registava, em Setembro de 2008, um rácio de solvabilidade de 16,09%, no que respeita a fundos próprios de base. Se tivermos presente que a legislação sobre a matéria contempla, recentemente, 8% como mínimo, logo se infere que temos uma posição confortável sobre a matéria, não se mostrando necessária qualquer ajuda governamental.
SP: É um ráco excelente.
JLQ: O Crédito Agrícola, no seu todo, regista um rácio superior a 13%, percentagem que é bem confortável, face às demais instituições de crédito concorrentes a operar em Portugal.
SP: A que níveis se situam os rácios de solvabilidade do Grupo Crédito Agrícola e, em particular, a do Baixo Vouga.
JLQ: Conforme já disse, apresentam valores bastante confortáveis, a avaliar pelos expressivos 16,09% referidos.
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