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Pintar para quem?

por Pe. MANUEL ARMANDO em Novembro 05,2008

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Haverá, de verdade, quem se divirta com as suas capacidades pessoais satisfazendo, apenas, o seu ego sem outros alcances mais alargados. Poderá olhar somente para o seu umbigo por egoísmo, ou não terá em si a abertura psicológica para a segurança da sua criatividade e adequado sucesso. Continuará sempre a trabalhar sem que alguém, algum dia, admire e o incentive a outros voos.
Mas, quantas ideias, projectos, construções, descobertas científicas e culturais, obras de arte de toda a espécie e outras coisas teriam servido a sociedade, enriquecendo-a, se os ideólogos ou os artistas não tivessem sonegado, por quaisquer razões pessoais, os seus avanços ou tarefas já realizadas.
Hoje, como em todos os tempos, o mundo usufrui dos resultados da acção positiva de inúmeros indivíduos e grupos que nunca procuraram, certamente, a notoriedade mas que, de uma forma talvez fortuita, deram a conhecer o fruto das suas imensas capacidades inatas ou desenvolvidas.
Ao nosso redor, e para não alongarmos o olhar para muito longe no espaço e no tempo, descobrimos a infinidade dos benefícios que nos provêm da inteligência e acção dos outros. Não nos bastamos nunca a nós mesmos mas também não paramos, tantas vezes, para descobrir, ou melhor, para tomarmos consciência das ligações que nos entrelaçam com a imensidão da massa anónima que, trabalhando, fornece felicidade e bem-estar, na alegria, a qualquer um.
Nunca chegaremos, de certeza, a sermos gratos por tantas coisas boas que nos empolgam e animam.
Os talentos dos quais nos fala o Evangelho, em Mateus 25/14-25 ou Lucas 19/11-27, resumem bem o sentido de que não existe ninguém destituído de grandezas a que é necessário dar provimento de acção e produção com o fim de tornar a humanidade mais rica e equilibrada.
Vem-me, ainda, à memória aquele capítulo 12 da 1ª Carta de Paulo aos Coríntios, onde se espraia toda a responsabilidade, para cada um, de examinar-se a si próprio, procurar descobrir de quanto é capaz e colocar o fruto dessa pesquisa ao serviço dos outros para o bem comum.
Mas, com esta dissertação quase me ia esquecendo que ERA UMA VEZ…
Não foi há muitos dias quando o homem me apareceu com um embrulho volumoso que começou a abrir perante a minha curiosidade e admiração.  Pôs diante dos meus olhos extasiados uma quase empilhada gama de óleos, guaches e pastel. Para quê e porquê? Apenas com o desejo escondido de achar em mim algum incentivo para se desfazer de tudo aquilo numa venda que lhe rendesse alguns patacos e, assim, poder viver mais honestamente.
Não tivesse eu de pagar as batatas que como ou o combustível que me facilita o andar daqui para ali, e teria adquirido aquela arte estampada com o auxílio do pincel e não sei mais o quê. Valeria a pena investir para meu deleite.
Mas o problema não se situava numa possível falta de clientes. Residia, isso sim, mais no facto de o meu amigo não querer despojar-se do que havia realizado. Não imaginava desligar-se dos seus “filhos” concebidos com inspiração e muito amor.
Não concebo o que vai acontecer, mas a mim, pelo menos, faz-me reflectir sobre a minha ignorância ou incúria, o meu egoísmo ou falta de coragem e, até, o medo de que me critiquem por algo que faço ou ainda mesmo desconfie do facto dos outros não prestarem o devido valor aos meus projectos e realizações. Pouca auto-estima. Será.
Eu não sei pintar, porém, se soubesse, não imagino como seria a atitude dos meus sentimentos. Mas, para me desculpar da culpa que não tenho, valha-me, pelo menos, isto: é que nutro uma santa inveja de quem faz quaisquer coisas tão úteis e belas e que, por isso, podem tornar o nosso mundo mais rico, alegre e atraente.


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