Valongo do Vouga: Droga À porta da escola exige medidas imediatas
O presidente do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Valongo, a propósito da notícia publicada em SP, na edição de 23 de Outubro, intitulada “Droga à porta da escola exige medidas imediatas”, enviou-nos o seguinte comentário que intitulou “De bombeiro a incendiário“.
A gravidade e irresponsabilidade das suspeitas levantadas pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga, na edição do Soberania do Povo de 23 de Outubro, sobre a possibilidade de existir tráfico de droga à porta da escola sede do Agrupamento, deixa qualquer munícipe perplexo e pode até levar os pais e encarregados de educação dos jovens que a frequentam a interrogarem-se, quer sobre o conceito de “droga”, quer sobre o papel que as várias entidades públicas e privadas podem e devem implementar no terreno, de forma a partilhar responsabilidades no processo de prevenção e correcção dos comportamentos reconhecidos como desviantese, e, muito mais importante, a criar ou recriar espaços de oportunidade para novas ou renovadas aprendizagens de verdadeira cidadania. Até porque nunca é tarde para se aprender ou reaprender a ser cidadão, a respeitar as normas superior e legitimamente instituídas. RESPONSABILIDADE: De bombeiro a incendiário vai uma longa distância. Duas margens que correm paralelas, ora mais próximas ora mais distantes, separadas apenas pelo valores essenciais em que uns e outros acreditam. O bombeiro pela margem certa, construtivo, solidário. O incendiário, pela margem pantanosa, sem rumo definido, a requerer o lançar de vuma janela de oportunidade para cruzar a corrente até à outra margem, recuperando um lugar na sociedade. DROGA: Cada vez mais, a construção de qualquer sociedade passa pela responsabilização partilhada, assente em projectos sociais que possam dar resposta a uma cidadania cada vez mais complexa e exigente. Projectos de vida que requerem uma participação activa e responsável. Concertada. Se aceitarmos como principio o trabalho colaborativo, torna-se mais fácil acreditar que a segurança, o bem-estar e o direito dos nossos jovens é um pilar essencial do bem-estar social, do equilíbrio da sociedade. Se é verdade que não existem verdades absolutas sob o conceito de “droga”, parece que uma boa parte do problema está na relação que se estabelece com a substância, na pura necessidade de se buscar fora de si uma forma de satisfação que devia ser plenamente alcançada com percursos de vida estáveis. Contudo, seja qual for a substância a que a notícia se referia, o seu consumo pode levar jovens e adultos a uma rápida dependência e mesmo e lesões irreversíveis, que em alguns casos conduz mesmo à morte. PROBLEMAS:Consciente desses efeitos e dos efeitos gerados por outras práticas que, menos mediáticas, se transformaram numa prática corrente da nossa sociedade (por exemplo, o consumo de bebidas alcoólicas, em festas e comemorações de toda a espécie, tornado quase obrigatório e justificado, muitas vezes pelo famoso “beber social”, com graves riscos para a saúde e com nefastos efeitos no tecido social), a sociedade, no seu todo, não pode voltar as costas ao problema. Parece, portanto, urgente prestarmos toda a atenção à problemática, e pedir a todos aqueles que, ocupando cargos públicos, não se limitem a atirar gasolina para a fogueira e assumam as suas responsabilidades, já que em conformidade com a alínea n) do ponto 6 do artigo 34º. da Lei Autárquica é competência da Junta de Freguesia “prestar a outras entidades públicas toda a colaboração que lhe for solicitada, em matéria de educação (…), em geral em tudo quanto respeite ao bem estar da população” . É pois tempo de passar das palavras aos actos, mobilizando vontades e recursos, de forma a ocupar os nossos jovens nos seus tempos livres, pois poderá estar aí a chave do problema. E, assim, em vez de se invocar o “caos”, contribuir para minimizar ao máximo a possibilidade dos jovens e adultos recorrerem as drogas ilícitas ou não. POLICIAMENTO: A terminar, julgamos compreensível afirmar que se a proximidade das escolas são locais propícios a atrair maus elementos, não é menos verdade que um bom policiamento pelas autoridades pode ajudar a corrigir ou evitar os problemas gerados nas saídas das escolas. O Presidente do Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Valongo do Vouga
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