Fermentelos: A alma não pode ser pequena, para que tudo valha a pena!...
A Banda Marcial de Fermentelos promoveu no sábado, 25 de Outubro, o jantar comemorativo do 140º. aniversário. O papel do Estado e das autarquias foi lembrado, mas Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal, numa indirecta a Amilcar Dias, deixou a entender que sem ovos não faz omoletes...
Jorge Mendonça, presidente de direcção da mais antiga colectividade de Águeda, comentou que a Banda Marcial “já foi muitas vezes exuberante e devastadora” e “mantém as linhas mestras da sua origem”, espelhando “um autêntico corpo em brasa, com uma raça imensa e com a vontade nos limites”. O presidente da Banda Marcial sublinhou, depois, que “a actividade das filarmónicas não substitui o Estado, nem as autarquias, na obrigação que lhes compete, de garantir o direito à educação, cultura e ensino”, e recordou “a obrigação que impende aos organismos estatais e orgãos autárquicos, de apoiar as filarmónicas”. Voltando-se para dentro, Jorge Mendonça defendeu que se deve “privilegiar o colectivo, em detrimento do individual” e sugeriu o caminho da “sensatez e responsabilidade, traduzidas no empenho e na paixão pela música”. “Peço-vos que nunca esqueçam estas quatro palavras: Vale sempre a pena!”, acrescentou. Jorge Mendonça concluiu, referindo-se, “entre tantos outros”, aos “saudosos Ulisses de Jesus e Adolfo Roque”, que “souberam dinamizar e mobilizar esta instituição com contagiante dedicação, empenho e alegria, e para quem a Rambóia é um estado em que a alma não pode ser pequena, para que tudo valha a pena”.
UM EXEMPLO A SEGUIR
António de Almeida e Silva, presidente da União de Bandas de Águeda (UBA), referiu-se à Marcial como “uma banda com pergaminhos e memórias” e “um valor histórico que é preciso preservar”. Uma colectividade grande “em fonte de inspiração, cartilha de bons costumes e escola de ensinamentos. Um exemplo a seguir!”, acrescentou o presidente da UBA. Recordou Ulisses de Carvalho como “apaixonado e sofredor da sua Rambóia”e “o Mestre Lemos” como merecedor da sua “admiração”. “Esta banda é um manancial de valores artísticos e humanos. Uns já fizeram o percurso da sua história e partiram, causando-nos tristeza, outros estão, de forma brilhante, a fazer a sua caminhada e enchem-nos de felicidade”, disse António de Almeida e Silva.
GIL NADAIS LEMBROU... IMI
O presidente da Junta de Freguesia de Fermentelos, Amílcar Dias, aludiu a “uma colectividade de envergadura, renovada e jovem” e com “pujança para continuar”. E solicitou que a “Câmara olhe para as colectividades com olhos de ver”, já que “são ricas de necessidades para suprir as dificuldades”. Paulo Matos, presidente da Assembleia Municipal, referiu “o papel do Estado na formação dos seus cidadãos” e defendeu “a delegação de competências na sociedade civil”. “A iniciativa das pessoas e das famílias não pode deixar de ser apoiada pelas entidades públicas”, sublinhou o autarca. O presidente Gil Nadais, em resposta a Amílcar Dias, garantiu que “a autarquia gostava de dar muito mais às colectividades, mas o orçamento não permite”. “Se nos cortam meios de obter receitas, não podemos distribuir verbas!”, disse, aludindo ao chumbo do IMI para o próximo ano, para o qual contribuiu... Amílcar Dias. Gil Nadais enalteceu, depois, “o trabalho da Banda Marcial, ao nível da escola de formação” e a disponibilidade para “organizar a Festa do Peixe”. “Estamos a trabalhar para que haja um salto qualitativo na Pateira”, asseverou o presidente da Câmara Municipal.
ESCOLAS DE HARMONIA
O director da Direcção Regional de Cultura do Centro, António Pedro Pita, defendeu que “antes de serem escolas de música, as filarmónicas são escolas de harmonia” e que a longevidade destas colectividades “é um exemplo cultural raro”. “140 anos de adversidades, só podem ser vencidas com uma fortíssima convicção”, sublinhou. Enalteceu Gil Nadais pela “existência de uma política cultural autárquica bastante esclarecida”, antes de se referir às medidas do organismo que dirige e que vão ao encontro dos interesses das filarmónicas: intensificar e alargar todo o processo de restituição do IVA, organizar uma temporada de concertos, definir um programa de preservação museológico e promover um encontro para discussão de assuntos fulcrais para as filarmónicas. Ver edição SP impressa
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