Foice em seara comum da economia mundial
Por mais modestos que sejam os conhecimentos de economia do cidadão comum, não há ninguém que deixe de concordar com, pelo menos, duas afirmações tornadas axiomáticas: na sequência da desordem que nestes últimos tempos tomou conta da situação económica internacional
1- Ainda não apareceu ninguém capaz de descortinar «o caminho» susceptível de definir e traçar a linha de rumo sem a qual não seremos capazes de vencer sãs dificuldades que a todo o momento ameaçam a estabilidade do sistema.
2 - A economia é uma disciplina demasiado complexa para ser orientada pelos respectivos profissionais, a exemplo do que sucede com as guerras cuja condução apenas em última instância deve ser entregue à direcção dos militares. No decurso do último Verão, sobretudo a partir de meados de Agosto, o mundo viveu à beira da catástrofe económica que acabou por ser evitada (?) através de medidas avulsas, a maior parte das quais traçadas sobre os joelhos de dirigentes bem mais atentos aos proventos próprios do que à gestão eficiente das instituições cuja administração lhes fora entregue. Estas desesperadas tentativas de socorro que procuram evitar um naufrágio que tudo indica venha a ser inevitável, faz- -nos recordar os gritos de vitória lançados por Adolfo Hitler, já nos estertores do «bunker» berlinense, ou a iminência do desmoronar do sistema colonial quando o corpo expedicionário português se batia “orgulhosamente só” contra os ventos da História e a inevitabilidade de uma derrocada que a ambição de homens luminosamente inteligentes, assim tornados «estúpidos», foi incapaz de prever e vislumbrar. Nessa altura, que ameaçadoramente se aproxima, não estaremos “orgulhosamente sós» mas «envergonhadamente acompanhados»! n M. J. HOMEM DE MELLO Director Honorário de SP
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