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O miúdo que queria ser 1º. Ministro!...

por Pe. MANUEL ARMANDO em Setembro 25,2008

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A mentira. Quem haverá que goste de ser ludibriado por outrem, ou em qualquer coisa, nos diversos momentos da sua vida de trabalho ou convivência?
Desde a tenra idade, somos educados a expressar a verdade e só ela, mesmo que isso acarrete incómodos pesados e nada desejados. Em tempos que já lá vão, na Escola, quando algum aluno se desculpava da falta dos trabalhos de casa com uma mentirita, a reprimenda ou algo mais não admitia atraso. E, se o facto chegasse aos ouvidos paternos, as coisas mudavam de figura e dobravam de dureza. Hoje, os mais novos não entenderão, talvez, esta linguagem. Infelizmente, digo eu, agora.
 Convenhamos que a virtude da verdade continuará a ser, neste momento, o padrão do agir de muitas famílias, instituições e grupos. As palavras ainda correspondem, assim se presume, às ideias correctas e à concretização de compromissos e projectos assumidos. Numa sociedade organizada e civilizada, os indivíduos só poderão dialogar entre si numa base de verdade e confiança. Ou melhor, deveria ser assim. Todavia e para mal de todos nós, até no limite das esferas superiores, muitas coisas se desvirtuam pela mentira, pela falácia das atitudes, pela falsidade e vazio dos compromissos.
Acontecerá o perigo de pensar-se que o normal será o falhar-se naquilo que é positivo e salutar. A população mais jovem pode cair no precipício de aceitar o anormal como método de vida que lhe é permitido seguir sem rebuço nem desconfianças.
Mas, em qualquer esquina, se descobre o desconforto dos indivíduos que olham o mundo como um campo onde tudo se promete e nada se cumpre. As ilusões são o pão de cada dia. O desencanto e o amolecimento de vontades tomam conta da actuação ou da inoperância dos interesses pessoais e colectivos deste nosso globo terráqueo que nós habitamos, onde tudo deveria ser um paraíso mas, em contrapartida, todos podemos transformá-lo num intenso inferno.
Por tudo quanto se diz e ouve não é muito para admirar que ERA UMA VEZ…, e não tão longe assim, um miúdo esperto e marau a quem o professor perguntou, num jogo inocente de Escola, qual o curso que gostaria de atingir e completar. Prontamente respondeu desejar fazer carreira de Primeiro Ministro.
E continuou apontando as diversas razões que achava convenientes e correctas para tão estranha, ou nem tanto, opção.
Lá foi dizendo que entendia isso como posição de algum destaque; numerosas pessoas o aclamariam com calorosas palmas, mesmo sem convicções sérias; poderia viajar frequentemente a expensas do país que servia, teria permanentemente guarda-costas, conheceria muitos países sem gastar um centavo pessoal; distribuiria bastantes e largos sorrisos, abraços e beijos; apareceria em vários eventos sociais, almoços e jantares; muitos se curvariam diante dele com todos os salamaleques; não haveria de pagar rendas nem impostos, pelo menos tão gravosos quanto outras pessoas mais pobres; ocuparia um lugar destacado, até nos campos de futebol quando para lá fosse convidado.
 Muitas outras coisas e razões aduziu o rapaz diante do professor. Depois rematou com esta seguinte afirmação: - Quero chegar a Primeiro Ministro para não ter que receber mais castigos da parte de meus pais e professores pelas vezes que falto à verdade. E, quando isso suceder, poderei dizer grandes mentiras, prometendo o que sei não poder cumprir-se, ler a vida de todos em tons cor-de-rosa, sabendo não ser verdade; dizer que a sociedade está a evoluir no desenvolvimento tecnológico quando se conhece que muitas fábricas continuam a lançar no desemprego centenas de pessoas; quero pintar em cores bem abertas e alegres o progresso que não existe, a segurança que é uma utopia, o sucesso escolar que é uma lástima, e mais e mais. A minha satisfação será quando o sorriso que aprendi a exibir tapar a minha mentira a qual, até, muitas pessoas hão-de admirar e louvar.
Não sei se o rapaz tem a razão do seu lado. Mas, nós que caminhamos neste vale de lágrimas, é que havemos de ajuizar sobre o seu cabimento.
Porém, faço votos para que o miúdo, ou outra pessoa que seja, saiba sempre agir com a consciência tranquila e assente na busca do acerto e da verdade.
n P. Manuel Armando

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