Rei Leitão, durante cinco dias…
Quando há 15 anos se deu o arranque da Festa do Leitão, tivemos a impressão, felizmente errada, que ela pararia por perto e por duas razões principais. A saber: 1º- Porque em alguns locais do certame o leitão não era da melhor qualidade. 2º - Porque os preços eram mais elevados do que nos restaurantes da especialidade, com piores condições e muito mau serviço. E as circunstâncias não justificam tudo. Ora, se juntarmos a tudo isto a animação contratada nos primeiros tempos - diga-se, incipiente - temos os factores principais de influência na adesão dos visitantes e o quadro perfeito para o sucesso ou insucesso do evento. Entretanto, as coisas, neste aspecto, têm melhorado e, no ano de 2007, o certame apresentou já uma dinâmica que fazia adivinhar algo de muito positivo. As melhorias acentuaram-se e este ano, ultrapassaram as expectativas. Quem por lá andou e, andou atento, viu alterações consideráveis - que começaram no recinto das festas e acabaram naquele extraordinário quadro arquitectónico que é o arranjo à beira rio. Neste pormenor, é caso para dizer, bom grado os desígnios da natureza, que derrubaram o botaréu, dando lugar a uma oportuna intervenção naquela zona. Intervenção digna dos maiores encómios para os seus promotores, não só pelo extraordinariamente bem conseguido arranjo estético da área envolvente, mas também porque transformaram o regato que corria entre areias, escombros e lixos, num lençol de água mais ou menos límpida. Neste aspecto, haverá muito a melhorar, mas o que foi feito restituiu à cidade uma beleza de causar inveja àqueles que não têm um rio e enchem, a quem o tem, o ego aguedense. É sempre bom referir o melhor, mas não devemos passar ao lado de lembrar algumas questões que mereceram o nosso reparo menos positivo, como, por exemplo, o menos bom serviço de mesa prestado por alguns restaurantes. Servir leitão esquentado em estufas durante horas retira-lhe a qualidade e só não dá por isso quem comer leitão pela primeira vez. E, esses, vão ficar sem conhecer o verdadeiro paladar do leitão assado à moda de Águeda (Bairrada). Isto aconteceu! Há ainda a melhorar nos pequenos/grandes pormenores do acompanhamento, que deve ser feito com batata cozida, a não ser que alguém exija ou prefira batata frita. Isto, para já não falar do abuso do sal, com que disfarçaram não sabemos bem o quê, mas sempre em detrimento de outros condimentos próprios do leitão à Bairrada que, em alguns casos, foram quase esquecidos. Pormenores destes servem para reafirmar que há que ter cuidado, porque a crítica, em nome do bom nome de Águeda e do seu leitão, vai ficar activa. De resto, a festa do leitão está a encontrar um rumo e, estamos certos, cada vez mais será o pretexto para o ponto de encontro anual da família Aguedense. Parabéns a todos os actores deste evento, da CMA à ACOAG, do público anónimo aos restauradores e empregados de mesa, desde os artistas de palco aos artistas do forno que fizeram do leitão, rei por cinco dias. n a.a.silva 2008-09-010
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