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Os animais são bons pegagogos!...

por Pe. MANUEL ARMANDO em Julho 11,2008

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Era uma vez... é enternecedora a expressão, mas não significa que nos vamos reportar a uns tempos longínquos, ou a um país de fadas e fantasias
puras.
Hoje, continuamos a ter motivos para fazermos da vida comum e concreta a história real de cada um. É frequente qualquer pessoa gostar de rememorar algo sobre as suas raízes e tradições e trazer à recordação os seus antepassados, ainda que relativamente próximos. Todavia, este facto, algumas vezes e para alguns, não passa de uma atenção a história passada, isto é, só válida para aquele tempo e que, apenas, edifica pelo exemplo interessante, mas sem razão para ser utilizada ou espelhada nos dias que correm Mas é bom recordar, porque a história de um povo, de uma família, ou
de qualquer pessoa, assenta sobre factos e feitos nobres que arrastam e
ensinam.
MÃE PARDALOCA: Ora, voltemos ao princípio.
Era uma vez um pardalito ou, se calhar e melhor dizendo, uma pardaloca (porque o feminino é, habitualmente, o lado mais sensível e emotivo), que, numa manhã de domingo, ensinava os primeiros passos, ou voos) a um seu filhote. Ambos estavam no píncaro de uma parede. O calor do sol, ainda não muito intenso, convidava a pequenas brincadeiras. Pelo menos, assim parecia.
Pois, então, a mãe pardaloca saltava, voando até ao chão e voltava a
subir. Fazia isto, variadas vezes, mas o filhote parecia distraído e não
perceber, ou não querer aprender, a lição que lhe estava a ser dada. Todavia, tantas vezes a progenitora repetiu as andanças que o mais novo começou a limitá-la, num chilreio que indicava a alegria de quem descobrira coisa importante. E a coisa importante, aqui e agora, era saber e poder voar sozinho.
n EXEMPLO DAS CEGONHAS: Um dia, passava eu em sítio povoado por ninhos de cegonhas e apressei-me a fotografá-los, levado pela beleza da sua grande simplicidade, por serem originais, fazendo entender desprendimento e ambiente de liberdade.
Outra cena de enternecer me foi dado observar quando a cegonha
adulta, pai ou mãe, se elevava em pequenos, constantes e compassados saltos verticais, abrindo e batendo as asas, como que paro iniciar qualquer voo de viagem. Lembrava o movimento do helicóptero no começo da sua marcha.
Duas crias repetiam, imitando os mesmos trejeitos. Estavam na lição
de voos que haveriam de ser ponto de partida para uma existência de
determinada auto-suficiência.
Os animais e a natureza, em si mesmos, fornecem lições de vida
fantásticas aos humanos, quando estes muito complicam tudo, ao
desejarem fazer as coisas fora do que é puro e original e vão buscar as
circunstâncias mais complexas e artificiais para chegarem a uma conduta de vida e a um agir assente na verdade e autenticidade.
Lembro-me de como aprendi a andar de bicicleta. No espaço de poucos metros, ensaiava eu as primeiras pedaladas e as diversas e
correspondentes esmurradelas de nariz, longe do olhar paterno.
Hoje, tudo se desvirtua e desvia. As famílias já pouco usam daquilo
que é natural para ensinarem os primeiros passos aos seus pequeninos que aprendem, não com o exemplo mas com o artifício. Mais tarde, portanto, não saberão inventar a sua vida mas hão-de esperar que os assuntos apareçam nas tábuas das soluções já cozinhadas.
Os seus arroubos de todos os sentidos, desde os educacionais, emocionais e sentimentais, não são a cópia ou vivência familiar e pessoal mas frutos de objectos ou pessoas estranhas e alheias, abrindo caminhos em nada
condizentes com aquilo que nasce num continuar os grandes ensinamentos dos que viveram a vida sem as palas da mentira ou da inverdade.
TRADIÇÃO: E bom que a vida evolua. Que os mais novos aprendam através das técnicas modernas mas é urgente e necessário que os bons ensinamentos tradicionais, se os houve ou há, do pai e da mãe, não sejam postos de lado, como se não tivessem qualquer valor. A experiência vivida dos antepassados
não pode nem deve ser desprezada.
Então, oxalá os adultos ensinem e que os mais novos, imitando,
aprendam.

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