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A reconciliação

por Manuel Armando (Padre) em Abril 11,2012

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Naturalmente, como acontecerá a muitas pessoas, assalta-me uma enorme dificuldade de perceber e, sobretudo, realizar a reconciliação, nas suas direcções “ad intra” (obter a desculpa de alguém), como “ad extra” (amenizar aquilo que os outros me fizeram).
 Esta inquietação pessoal toma uma dimensão mais aguda quando compulso a linguagem do Evangelho, que aconselha: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; e depois vem fazer a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário enquanto estás a caminho com ele para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto na prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de ter pago o último centavo” (Mt.5,23-26).
Ora aqui é que nos apercebemos estar o busílis da questão: voltar atrás.
Parece tempo perdido e escusado. Então não seria mais fácil, e menos moroso, enviar uma simples carta, mensagem ou mail?
Convenhamos que a coisa não será assim tão linear como imaginamos, por vezes.
Para procurar entender um pouco melhor o que se deve aceitar como sendo a reconciliação, evoco uma história verdadeira, vivida entre dois amigos.
 Ora, uns velhos companheiros da aldeia, quando chegaram à altura de pouco poderem trabalhar, iniciaram a nova fase de ensinar à sociedade valores que vão escasseando numa progressão assustadoramente negativa. Todos os dias, uma vez de manhã e outra pela tarde, caminhavam à volta do quarteirão onde moravam, em meticuloso ritual. Enquanto tal, conversavam sobre as suas vidas, esforços, batalhas, êxitos e quedas, família, recordações e outras coisas variadas. Mas, nalgumas ocasiões a conversa também azedava e o comportamento agitava-se. Quando sucedia zangarem-se a sério, interrompiam os discursos, separavam-se, seguindo um em frente, enquanto o outro dava meia volta e marchava em sentido contrário. Volvidos alguns minutos, estavam de novo frente a frente. Já com a cabeça fresca e opiniões reformuladas, completavam a caminhada programada..
Isto chama-se autêntica reconciliação; regressar ao ponto de partida, apagando em cada passada o que fora semeado com egoísmo, intransigência e fundamentalismo.
A amizade sem véus, o respeito recíproco pela pessoa do outro lado, farão fatalmente descobrir que, só passando os pés por cima e rasurando marcas azedas de indisposição e ganância ou amor-próprio, os humanos chegarão à reconciliação.
A capacidade de esquecimento, neste caso, possui uma altíssima importância.
E, se isto acontecer nos aldeãos patrícios, pode vir a “contaminar-se” também a sociedade mais global abrangente.
 Oxalá suceda tal coisa, pois jamais serão caminhadas ou tempos desbaratados.
n  P. MANUEL ARMANDO

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