Valongo do Vouga: A fundação e as questões sociais
O eco que nos impele e nos sugere alguns comentários está directamente relacionado com fenómenos de ordem social na freguesia de Valongo do Vouga. Nunca esta freguesia e uma grande parte dos seus residentes sentiram de forma tão acutilante diversos factores que atormentam a vida de uma grande maioria.
Suscitou-nos alguma justificação para este apontamento, o facto de encontrarmos na caixa do correio (e não cuidamos em saber se a distribuição foi generalizada, ou não) de um folheto da Fundação Nossa Senhora da Conceição, desta freguesia, a “viver” em condições relativamente precárias no lugar de Fermentões (aprazível, é certo), em instalações provisórias e alugadas, dando conhecimento do projecto da construção das novas instalações. APOIOS: Causou-nos uma revolta estomacal e um estremecimento de pôr os pelos em pé pelos números que o folheto insere. O mesmo pretende ser, por um lado, mais um grito, entre muitos e, por outro, um apelo a raiar alguma angústia e aflição em sentir que a obra que se pretende concluir (e certamente que vai ser concluída) necessita de muitos apoios financeiros. Sabemos, e não é novidade, que se a população da freguesia está a passar momentos menos bons na sua vida, que os ordenados que aufere não permitem, praticamente, o sustento para o dia-a-dia, como vai ser possível atender ao apelo que o folheto da Direcção da Fundação lançou? Esta pergunta não é com intuitos destruidores, desmotivadores, para lançar nos espíritos de todos a resposta negativa, quando lhes baterem à porta para “contribuir para esta causa…quando da realização do peditório que esta instituição vai levar a efeito nos lugares da freguesia” como se lê no referido folheto. Ma os Valonguenses irão, com toda a certeza, responder pela positiva.
Mecenato social
“Somos todos actores sociais e gestores deste projecto, portanto é preciso começar a agir!”, finaliza, assim o folheto. Também assim pensamos e apetecia-nos até colocar aqui palavras diferentes e mais duras, que justificassem melhor o sentir, não só nosso, mas estou certo, de muita gente da freguesia. Mas sei, por experiência própria, que às vezes é necessário ser-se hipócrita, fingido e utilizar alguma malícia e outras habilidades para não se dizerem as coisas como são, como o povo costuma dizer, chamar-se aos bois… Isto para encaixar naquilo que muitos de nós já estão a pensar. Então não será possível encontrar uma forma de aplicar a lei do mecenato e captar a simpatia dos mecenas respectivos? GRITANTE: Naturalmente que os responsáveis da Fundação já terão pensado e agido nesse sentido, sem necessidade de aqui apontar a ideia. Admito a hipótese de não ser muito difícil entrar por esta via. É que, vá lá, são algumas dezenas de milhar de euros! E em alguns mecenas isto não será grande trambolhão para aquilo que socialmente é gritante!
Freguesia grande
Concretizar “as necessidades básicas da pessoa idosa” (lê-se ainda) numa freguesia que conta com uma percentagem elevadíssima de idosos na sua população de mais de 5.000 habitantes. Não vai muito longe o tempo em que, nestas páginas, publicámos, pela primeira vez, o epíteto da “maior freguesia do concelho em área e a maior em população, excluindo a freguesia sede de concelho”. A partir daí toda a gente utiliza esta fraseologia, quando se refere a factos da freguesia - e bem …- mas esquecem-se (ou esquecemo-nos) que somos grandes em área e população, mas pobres e reduzidos à ínfima espécie económica, à ínfima espécie de influências (porque continua tudo a tratar-se sob as mais variadas influências e de relacionamentos) e nós, Valonguenses, não temos nada, mesmo nada… nestas questões. Deixei claro, há umas semanas, que não vinha traduzir os factos da freguesia por palavras para agradar seja a quem for. Se é que, com o exposto, estaremos a desagradar a alguém. E quem?
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