A História do futuro ou o futuro da História
Raras vezes um livro me terá criado tanta expectativa e tão grande vontade de o ler como um dos que recentemente adquiri em Paris. Refiro-me à “Breve História do Futuro”, de Jaques Attali, autor de umas quatro dezenas de volumes (ensaios, romances, biografias, etc), livro esse que acaba de ser publicado com o referido e sugestivo título. Mas raras vezes também a decepção ou a frustração terão sido tão intensas como desta vez me aconteceu.Não é que o trabalho de Attali seja merecedor de crítica contundente ou deixe de estar à altura da poderosa inteligência e da aprofundada cultura que são timbre do autor. Não. “ Une Breve Histoire de l´Avenir” é, sem sombra de dúvida, um bom e interessante livro. Mas não é - sem sombra de dúvida também - o livro ou AQUELE livro que eu esperava e que tanta expectativa me provocara. Direi mais ainda: o título excede o contudo ou, se quisermos, “é melhor do que o texto propriamente dito», porque pretende ir mais longe e acaba por ficar mais perto do que o leitor esperava e por certo desejava.Adiantemos, todavia, que a ideia de Attali escrever sobre o futuro, como se fosse um novo Júlio Verne, é muito interessante e sedutora. Mas a grande diferença ou uma das grandes diferenças entre os dois autores é que enquanto Verne concretiza, digamos que realiza, o futuro, Attali limita-se a “ profetizar” banalidades ou pouco mais do que isso. Verne vai à Lua, percorre milhares de léguas submarinas, etc., etc., e explica como se realizará o que então era prodigioso; o autor da Breve História limita-se a “prever” que o homem fará isto e aquilo sem que, contudo, se saiba nem como nem quando. Porventura mal comparado mas dá vontade de encontrar a diferença entre o “ prever” que um dia a Humanidade será destruída pela utilização, com fins militares, da energia nuclear e o esmiuçar dessa destruição, bem como as consequências que daí advirão. Attali é demasiado vago. Verne vai até ao âmago da novidade que estará escrita nas páginas do futuro.Seja porém como for, não me importaria nada de ser capaz de escrever um livro como aquele que Jaques Attali acaba de dar à estampa. * mjhm
2715 vezes lido
|