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BELAZAIMA DO CHÃO: OS SERRANOS FIZERAM HISTÓRIA DE ÁGUEDA E DE
As interpretações foram encenadas de forma simples mas carregadas de simbolismo, transformando-se em manifestação viva, e sentida, das vivências que, da serra de Águeda e a partir de Belazaima do Chão, se consagaram em Bourges.
Casal de fidalgos
Domingo, 30 de Março, ainda sobraram cerca de três horas para, finalmente, haver um pouco mais de convívio entre os membros da comitiva serrana e as suas famílias de acolhimento. Às 23, começou a concentração final, na sede do Centro Franco-Português de Bourges e, depois de organizar a difícil carga no autocarro e de uma serenata de despedida cantada ao colectivo das mães, esposas, filhas das famílias que acolheram e acarinharam 42 serranos, iniciou-se a viagem de regresso, já com a emoção nos olhos e na garganta. Ao aproximar das 8 horas da manhã, a comitiva estava às portas de Espanha e fez um desvio para Dax, guiados por Miguel Lobo. É um belazaimense emigrado para França no tempo do “salto” e da mala de cartão, na década 60 do século passado. Casou com a Irene, outra belazaimense, e, depois da Normandia e Paris, já estão mais perto da terra natal, embora ainda em território francês, a cerca de metade da distância entre a casa na rua do Alto de S. Pedro, em Belazaima, e a dos filhos, que residem na região de Paris. n EMIGRANTES: Receberam Os Serranos na sua casa, onde tinham preparado um inesquecível e abundante almoço. As vicissitudes do planeamento levaram a comitiva nas horas da dejua, mas a lauta refeição serviu de alicerce para a jornada de todo o dia, atravessando a Espanha, até às colinas baixas da serra do Caramulo, onde se pôs o pé no chão já na noite de segunda-feira. Irene e Miguel Lobo, em -Pyes, próximo da cidade de Dax, a cerca de 40 quilómetros da fronteira com Espanha, contactaram com Os Serranos e planearam servir uma magnifica refeição a toda a comitiva. Miguel partiu de Belazaima do Chão ainda muito jovem, por volta de 1965, e a Irene foi um pouco mais tarde. Já viveram na Normandia, na região parisiense e agora estão “mais perto de casa”. “É quase metade da distância”… O gesto generoso do casal de emigrantes belazaimenses deixou todos Os Serranos sem palavras e muito sensibilizados. Não apenas pela simplicidade com que foram ao encontro de Os Serranos na manhã de sábado, na viagem a caminho de Bourges, cuidando de todos os pormenores do contacto e assegurando que tudo iria correr bem mas, sobretudo, pela qualidade do serviço, variedade e abundância das iguarias que surpreenderam 42 serranos ensonados e cansados, às 8 horas da manhã de segunda-feira. Que outra melhor recepção poderiamos ter?
É tão linda a minha terra
O despertar foi com champanhe e entradas elaboradas e diversas, desde marisco, às saladas e patés que se produzem naquela região, muito rural, composta por quintas onde os patos são tratados (ou destratados) ao fígado, para dar foigras abundante e saboroso. Depois deste despertar, qualquer um já estava acordado para atacar as febras al ajillo, tenras e paladosas, acompanhadas com batata de forno, amaciadas com molho cremoso… talvez bechamel. Naturalmente, as sobremesas acompanharam a sofisticação da restante refeição e não faltou cognac para quem tinha a barba mais rija (afinal quase todos, até mesmo as mulheres). O gesto generoso de Miguel e Irene mereciam mais disponibilidade e mais tempo de companhia, por parte de Os Serranos. Todavia, o plano da viagem de regresso não permitiu muito mais do que o coral “É tão linda a minha terra”, cantado com lágrimas, enquanto se tirava a foto de família, em frente à casa dos dois belazaimenses que transportam consigo a generosidade como valor de herança. Obrigado, Miguel e Irene.
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