EXAGEROS
A tarde ia soalheira, com trânsito praticamente inexistente e poucos turistas naquele largo à beira-rio na Ribeira do Porto. Estaciono o carro, em sítio que não incomodava ninguém, apesar de ali ter uma placa de proibição de estacionamento. Uma hora depois regresso e reparo que no pára-brisas tinha um “bilhetinho”! Fui ver o que era. Uma multa de estacionamento! Dirijo-me ao posto de polícia e comento com o oficial de serviço o meu agastamento. Com um dia de sol bonito, um domingo à tarde, uma beira-rio semi-parada, tranquila, que mal fazia o meu carro, estacionado com outros num local que não incomodava ninguém, por uma escassa horita?! O oficial de serviço deu mostras de concordar e recomendou-me que falasse com o colega, indicando por onde andaria. “Apenas peço que lhe transmita o meu desagrado”, disse. Perante o olhar do oficial, provavelmente a perguntar-se, “mas afinal por que vieste cá?!”, eu esclareci que a minha intenção era a de fazer notar o desagrado, ao cuidadoso agente que multou. Queria dizer-lhe que achava um cuidado exagerado a sua atitude, apesar de no cumprimento do dever. Longe de mim a intenção de lhe dizer o mesmo que o meu “vizinho” do estacionamento: “isto é mesmo caça à multa! Não estamos a incomodar ninguém!”
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