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MANIFESTAÇÕES DE LÉS-A-LÉS…

por António Silva em Maro 12,2008

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Manifestam-se polícias e militares, médicos, doentes e enfermeiros, professores, alunos e empregados, patrões, sindicatos e funcionários públicos, associações de classe, desempregados e até os Juízes.
É caso para perguntar: que país é este?
O governo que atente neste fenómeno que assola o país de lés-a-lés e vai reflectindo, transversalmente, não só algum sentimento de incerteza, ansiedade e preocupação em que vivem muitos quadrantes da vida nacional, mas também porque, sempre que se quer mudar alguma coisa, aparecem os contestatários que querem continuar acomodados como se o mundo fosse estático.
Por isso, consideramos que nem todos os protestos são razoáveis, principalmente, quando defendem objectivos partidários ou servem os anacrónicos sistemas corporativos de que o país ainda se não libertou, totalmente, e que, num passado recente, serviram de apoio à ditadura. Este tipo de protestos são o rosto dos velhos do Restelo habituados aos métodos que garantiam aos funcionários públicos a permanência no lugar até ao resto da vida, mesmo que fossem inábeis e sem habilitações visíveis, de pouco importava, porque a progressão na carreira era em função da antiguidade, da fidelidade canina ao sistema e outros favores ao chefe.  
Foi em consequência destes procedimentos que os maus nunca deixaram de ser maus e os bons, alguns, passaram a ser piores, em consequência da injustiça de um prémio igual para todos, bons e maus.
O protesto dos professores, para além de outras coisas, foi um mau exemplo para os alunos que, doravante, têm legitimidade para promover manifestações sempre que o professor, ou as ordens que dele emanarem, lhes não agradem. Aparte este pormenor de pouca monta, a verdade é que está instalada a discórdia professores/ministério, que vai ter repercussões imprevisíveis e sempre com maiores prejuízos para os alunos. É uma disputa infeliz e uma atitude precipitada, que não deixa tranquilamente, testar o sistema, fazer a aferição devida dos resultados para proceder à introdução das correcções necessárias a um bom desempenho escolar.  
Sem embargo do direito dos professores à manifestação, apreciaríamos muito mais vê-los manifestar-se pela escola do conhecimento em troca da escola do analfabetismo que tem reinado no nosso país há dezenas de anos, salvo honrosas excepções.
O correcto seria uma escola que se preocupasse menos com as disputas dos professores e mais com os alunos, porque são eles o “produto” final da sua obra. E só os medíocres têm receio à avaliação independente e justa, com base na proficiência do seu desempenho.
Todos sabemos que, após a alvorada da democracia, houve governos que fizeram das escolas balões de ensaio, servindo interesses políticos e, à direita ou à esquerda, deram aos alunos rufias espaço à insubordinação, ao insulto e até à agressão, deixando os professores expostos, indefesos e sem qualquer protecção. Havia quem estivesse interessado no caos!
Não admira, portanto, que o ego e o estatuto do professor fossem afectados e que a sua moral tenha sido abalada, mas todos desejamos que tenha passado esse período negro da história do ensino em Portugal, que fez uma geração de analfabetos, ao mesmo tempo que havia professores a receber salário e com horário zero, a sugar o orçamento do Estado. A ministra não é simpática, nem tem que o ser. Tem é que, por detrás daquele ar de “Sóror” e a tranquilidade de quem sabe, fazer o seu trabalho com inteligência, determinação e autoridade, para inverter um sistema anacrónico que é a causa de estarmos na cauda da Europa.
As escolas são responsáveis pelo sucesso ou fracasso de qualquer país. Foi assim no passado e sê-lo-á no futuro. Se quisermos ser um povo independente e livre, temos que ter escolas capazes de acompanhar e promover a evolução da ciência e isso só se consegue exigindo a cada aluno, e cada professor, o cabal cumprimento do seu dever;  ao aluno, exige-se dedicação e perseverança no cumprimento da sua missão, aprender; ao professor, que ensine, mas ensine com mestria e não como um qualquer papagaio que recita, e mal, a ladaínha que está no livro e, mesmo assim, só com o livro aberto, porque se o fecha…
São estes que têm medo da avaliação!
Há necessidade de mudanças radicais e elas têm que acontecer sob pena de ficarmos cada vez mais distantes da Europa. O governo deve dar a cada escola os melhores professores e os meios necessários a uma boa aprendizagem, porque só com professores exigentes e competentes o país terá sucesso.
Quanto à remodelação, o ministério deveria ter testado o sistema e fazê-lo entrar gradual e progressivamente, em vez do tudo ou nada. Limitaria, assim, a voz dos contestatários e, impreterívelmente, melhoraria os resultados!
Agora, Sócrates não pode, nem deve, ceder à pretensão dos professores que querem a ministra demitida, o que deve é ajustar o sistema, mesmo que tenha que enfrentar muitas mais contestações porque o que está em jogo é muito mais do que a simples avaliação.
Os professores não querem perder o statu-quo que têm tido e que lhes permitiu, em algumas circunstâncias, nem sequer irem à escola, mas sempre com o lugar e salário garantidos; e os sindicatos não vão entregar de “mão beijada” a influência que têm nesta classe.
Por tudo isto, a Primavera vai ser quente, com escolas e ministério de candeias às avessas.
Enquanto isso, vão-se perdendo gerações!
n  a.a.silva

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