FERMENTELOS: A CAÇA E A PESCA NA PATEIRA VISTA POR QUEM (NÃO) SABE
O artigo publicado num jornal da região, a 13 de Fevereiro, provocou-me profunda indignação, pelo seu conteúdo.
A jornalista não deve ter o miínimo de noção do que são duas centenas de aves e muito menos do que seja o acto venatório, como se as espécies fossem para o matadouro, onde serenamente esperam a sua vez. Alguma insatisfação me causa também a atitude do senhor presidente da Câmara Municipal de Águeda, ao atacar a prática da caça e pesca, responsabilizando-as pela extinção das espécies. CULPADOS: Estas actividades centenárias são praticadas responsavelmente pela esmagadora maioria dos caçadores e pescadores da pateira. São ainda uma forma de cultura enraizada nas nossas tradições. Será que o senhor presidente já se deu ao incómodo de ir verificar de que cor são os efluentes que correm na vala que comunica a zona industrial de Oiã com a pateira? Parece evidente mais fácil atacar os caçadores e pescadores do que as grandes empresas. Para mostrar que se está a defender a pateira não é necessário acabar, ou proibir, duas tradições seculares. Para se encontrar uma solução aos problemas que afectam a nossa pateira seria muito mais razoável apanhar uma lancha e, no local, tomar verdadeiramente conhecimento dos reais problemas que a afectam e consultar a opinião dos caçadores e pescadores, principalmente os mais idosos, verdadeiramente conhecedores dos reais problemas e causas que provocam estas situações, e não fazer fé na opinião do nosso presidente da Junta, também ele um leigo na matéria, à semelhança de tantos. ATAQUES: Muitos dos que agora se levantam, indignados e prontos a cortar todos os “males” pela raiz, ao visitarem a Festa do Peixe estão convencidos que o peixe delicioso que aí saboreiam é de “viveiro”, ou foi pescado à cana. Nessa altura não há reclamações ou protestos. Sabe tão bem! Está na hora dos caçadores, pescadores e toda a população ribeirinha que gosta de saborear caça e pesca da pateira, tomarem consciência das consequências dos ataques concertados a estes usos e costumes da nossa terra. Será que é chegada a hora de, à semelhança de Barrancos, lutarmos pela defesa das nossas tradições? A todos aqueles que utilizam os jornais regionais para, levianamente, tratarem estes assuntos, apelo a que apontem as suas “armas” para os verdadeiros culpados da real situação da pateira de Fermentelos. Ou será “Pateira de Águeda” como a Senhora jornalista a designa, ou “Lagoa da Pateira” como a nossa Câmara Municipal também já lhe chamou?
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