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ESCOLA MARQUES DE CASTILHO COM 81 ANOS

por CARLOS CARVALHO em Janeiro 30,2008

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Falar dela, só poderemos fazê-lo com (imensa) paixão! É, ainda hoje,  uma Escola única - todos o sabem... - por mil e uma razões diferentes! Até porque… como iríamos esquecer aquela manhã de frio do afastado Outubro de 1964, nos nossos verdes dez anitos, em que avançámos inseguros por entre os portões de ferro dessa mesma Escola (claro que o portão dos rapazes, caros leitores, entrar pelo portão das meninas dava direito a uma ida ao Director e, em dia de azar, a uma lambada a sério!…).

Fomos então recebidos pela figura tranquila da D. Maria Águeda, uma funcionária inesquecível, a quem a “ti” Natália, nossa santíssima mãe, havia já enunciado, com o rigor precário de mãe coruja, os (imensos) méritos de estudante que nos diferenciavam: sem nada de “burros”, educados e nunca esquecíamos os deveres… até ver. Para além disso, fazíamos redacções de fazer chorar as pedras de Além da Ponte, que até eram lidas a toda a classe, lá na Escola Primária dos Oliveiras!... Com tal recomendação, ficou certo e seguro que nunca mais a D. Maria Águeda deixaria de confiar no miúdo… Disparates de adolescente? Todos eram suspeitos, menos aquele aluno tão limpinho e penteado de Além da Ponte!
Mas deixemos falar uma voz de excelência no imaginário duma Escola de 81 anos: Odete, transmontana de Freixo de Espada à Cinta e professora por muitos e bons anos nesta causa chamada Escola Secundária Marques de Castilho. Ela sentiu sempre, de forma rara, a alma que ainda hoje vive nos espaços da Escola, com ela bebeu muitas vezes um copo na taberna da vida, curtiu penares e trocou brindes só de anarquistas. Diz Odete:  
“Corria o ano de 1927. 0 país adolescentemente republicano aquietava se à sombra dos militares.
A escola nasceu como um filho há muito desejado. Bebeu da serra, a força, a teimosia, a resistência. Do rio, a busca, a cor verde da inquietação. E quem sai aos seus ...
E mal venceu as primeiras pautas da tormenta, expôs se e correu a festejar e a mostrar se à vila, no Pathé Cinema. A qualidade em exibição era reconhecida e aplaudida por "pessoas de todas as categorias sociais, do concelho e fora dele"1.
E pelos dias se foi afirmando.
O país foi amolecendo, sob a sotaina do poder. A Espanha matava-se civilmente. Um pouco mais além, um menino judeu acreditava que a morte era um jogo infantil de faz de conta.
A Escola aprendia cinzenta e ordeiramente.
Mas nas costuras dos bordados femininos, nasciam cantigas. E no barulho disciplinado dos tornos, ensaiavam-se récitas.
Ouvem-se ainda as palmas da vila, para os actores da escola.
Em 74, gritou-se liberdade no país. Aqui, encheram-se os quadros com palavras de ordem. Arderam as palavras exaltadas. Foi a festa dos braços em bandeira. Algumas vezes, marcharam oportunistas de mão dada.
Depois do tufão, a escola saltou para o palco com poemas. Atentou-se na tradição. Dançou-se folclore. Atentem nos pézinhos de chumbo de professores e alunos a trocarem-se no palco do ginásio! E os sorrisos outonais dos docentes, quando os alunos lhes imitavam os tiques em conselhos de turm imaginários? Tantos natais cantados em vozes entrelaçadas de português e pronúncia afivelada de Francês e Inglês! Tantos finais de ano em festival! Estão aqui alguns dos autores e actores da encenação. Os outros espalharam-se por outros lugares, com a escola na mala das memórias.    
-  CARLOS CARVALHO



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