MACINHATA DO VOUGA: MORTE DE JOAQUIM CORREIA MARTINS
Macinhata viu, consternada, partir um grande amigo da terra e do seu povo, que o acompanhou à última morada, em grande número e recolhida em respeitoso silêncio, no dia 20 de Novembro. Que Deus Nosso Senhor o tenha recebido em Paz e lhe dê o descanso eterno.
Joaquim Correia Martins, 93 anos, viúvo de Alice Correia Santiago, era um dos seus mais dilectos filhos. Embora fosse natural de Viseu, porque muitos anos viveu entre nós, muito amava esta terra e o seu povo e deixou marcada a letras de oiro a sua passagem entre nós, em sobejas provas de indefectível dedicação. Quem não se lembrará, por exemplo, da ajuda monetária prestada generosamente à AMAR? Sempre com o espírito de fazer bem à terra adoptiva, que tão bem o recebera, e ao seu povo! Ajuda vinda na altura mais oportuna, de maiores dificuldades, quando encetava os primeiros passos que deu um “empurrão” que a fez caminhar resoluta e firmemente, estrada fora, e chegar à preciosa instituição que hoje ée de que Macinhata muito se pode orgulhar. Conheci o senhor Martins, era eu criança de nove anos, mal ele havia chegado à Sernada, ao serviço dos Caminhos de Ferro do Vale do Vouga. Desde logo se dedicou à nossa terra. A nossa escola organizou, na garagem do falecido dr. Aníbal Corga, uma peça de teatro. Ele ensaiou, desenhou e pintou os cenários, que nós, crianças humildes, naquele tempo nada tendo onde pôr os olhos, tanto encantaram, que nunca mais esqueceríamos a prodigiosa habilidade do senhor Martins e ele próprio. Meia dúzia de anos depois, recém -chegado ao ex-Congo Belga, já homenzinho - encontrei-me com ele, em Léopoldville, na casa do meu querido e saudoso tio Júlio Costa, que muito o estimavam. Aí, soube da extraordinária carreira que estava a fazer nos Caminhos de Ferro do Baixo Congo, tão agrado da direcção belga, que o mandou tirar um curso técnico de Electrónica de Comunicação, que lhe deu a honra de ocupar nos CFBC um lugar de chefia. Em 1960, com a instabilidade política pós-independência que redundou em graves conflitos, o sr. Martins regressou definitivamente a Macinhata, onde ficou até ao dia em que a morte o levou e donde viu partir a sua saudosa e excelsa senhora, D. Alice Gouveia Santiago. Não era de cá, mas fez pela sua terra adoptiva tanto ou mais que os melhores macinhatenses. Foi sócio da Electro-Metalúrgica do Vouga, fez parte da direcção da Cooperativa Eléctrica Macinhatense, e tão bom era o seu desejo em promover o porgresso de Macinhata, que, com o propósito de criar uma associação de lavradores, comprou um tractor e colocou-o, à disposição de quem o quisesse utilizar, a preços módicos, quando ainda não era a máquina de eleição que anos depois apareceria a revolucionar trabalhos agrícolas. Joaquim Correia Martins, acima de tudo, era uma pessoa de inteligência de alto nível, de bom coração, extremamente educada, simpática, que deixou bons exemplos e muita saudade. Adeus amigo, até um dia. n ALCIDES MELO
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