CLUBE DA VENDA NOVA: LEVEI UM FILME DO MILAGRE DA URGUEIRA!
Demopsicólogo, cultor dos usos, costumes e tradições do povo, o Manuel Farás impôs-se no meio como pesquisador de cantigas e modas populares, dançador e tocador de viola de cinco cordas em ré menor. Chegou triunfante a Belazaima e anunciou: «Fui chamado a Lisboa e tenho a dizer-vos que fui nomeado director da Federação do Folclore Nacional, para honra das nossas terras e da nossa gente». Foi interrompido por uma ruidosa salva de palmas e o Pompílio até chorou de orgulho. «É verdade, cheguei lá com a minha capucha serrana, o meu traje de burel e foi um sucesso!», disse o Manuel Farás. «Mas foi submetido a alguma prova?», perguntou o Valdemário. «Claro que sim, tive que dançar o Malhão de Águeda e o Vira de Macieira, com as botas ensebadas e com brochas para fazer o sapateado, e tive que cantar e tocar a Chula de Casal d'Álvaro”. Bebeu um copo de água e acrescentou: «E levei uns vídeoclips do nosso grupo em movimento e apareci em primeiro plano, como é evidente». «E bastou isso?...», retorquiu o Valdemário «Não, também levei um filme do Milagre da Urgueira, eu a entrar no forno a arder e a sair de lá com uma broa, sem sofrer sequer uma queimadela!», disse o Farás. «Então foi isso que o promoveu!…», concluiu o Pompílio. «Não, não foi, eles não acreditaram, disseram que aquilo era uma montagem!...», explicou o Farás.
*** * *** O advogado Lenine de Falgoselhe estava no seu escritório remansosamente e em sossego, a trabalhar e a pensar como é que se engana o tempo, quando lhe bateu à porta um homem alto, de boa aparência, com ar de quem tem com que pagar, para marcar uma consulta. «É um caso de milhões de contos…», disse o homem. «Como é que se chama?», perguntou o Lenine. «André. André Champalimaut», respondeu o homem. «Então e não quer agora a consulta?», perguntou o Lenine, levantando-se pressuroso e mesurento. “Faz favor de se sentar», «Não, agora vim só marcar a consulta, porque tenho que ir para a Bolsa, isto também mete acções…», retorquiu o dito. «Muito bem, cá o espero na próxima terça-feira», disse o Lenine, acompanhando o cliente até à porta da rua. A pensar nos milhões, o Lenine foi dali à Trigal tomar um café e um pastel de nata e regressou. Quando entrou no escritório ficou pasmado a olhar para a mesa: tinham-lhe roubado a carteira! Chamou a empregada e disse, indignadíssimo: «De certeza que foi o Champalimaut que me roubou a carteira».
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