A Escola Secundária Marques de Castilho (ESMC) celebra 88 anos no dia 29 de Janeiro. Motivo para uma longa conversa com Francisco Vitorino, director do Agrupamento de Escolas de Águeda Sul, sobre ensino e... política.
O que é que a ESMC deu a Águeda nestes 88 anos?
Sem desprimor para todas as outras instituições que levam já uma provecta idade, creio que o 88º. aniversário da ESMC, antiga EICA, é motivo de regozijo para todos os aguedenses, sobretudo para os milhares de cidadãos que passaram por esta escola e dela receberam ensinamentos para a vida. Não andarei longe da verdade se afirmar que Águeda não seria o que é hoje se há 88 anos não tivesse sido criada uma escola comercial e industrial, cuja ação esteve na base do dinamismo empresarial que viria a caracterizar o concelho e a região nas décadas seguintes. A ESMC deu tudo a este concelho e também dele tem recebido tudo. Todos os dias temos exemplos da ligação afetiva forte que com ela mantêm os empresários e as pessoas em geral, sem os quais não seria possível colocar anualmente, com sucesso, mais de 250 alunos em formação em contexto de trabalho.
A escola está preparada para os desafios futuros do ensino?
A escola tem sabido adaptar-se a todas as vicissitudes do ensino, acompanhando e executando as políticas educativas que, como se sabe, têm conhecido uma enorme instabilidade, muito ao sabor deste ou daquele governo. A escola tem sabido aproveitar as oportunidades e os desafios que vão surgindo, nunca abandonando a sua matriz histórica fundamental, mas procurando interpretar, com inovação e criatividade, o sentir da comunidade que serve. Não obstante a incerteza quanto a um futuro que é sempre muito marcado pela alternância democrática, no que há educação diz respeito, os 88 anos de experiência de ensino são a garantia de que a escola, e o agrupamento do qual é sede, saberão enfrentar os desafios do futuro e continuar a prestar um serviço público de educação de qualidade.
Que vantagens da condução de um mega agrupamento como o de Águeda Sul?
A concentração de serviços na administração pública não é propriamente a melhor solução para resolver os problemas das pessoas. Temos, infelizmente, bons exemplos disso, como é o que se passa com o hospital. E para quem tem a responsabilidade de conduzir um agrupamento desta dimensão e com esta dispersão, seguramente que constitui um desafio enorme à capacidade de liderança e de organização. Contudo, trata-se de um exercício que não deixa também de constituir um desafio interessante, desde logo pela possibilidade de colocar em diálogo diferentes culturas de escola, diferentes comunidades educativas, diferentes realidades, cada uma com a sua especificidade. Apesar das dificuldades, o agrupamento tem sabido contornar esses obstáculos, fazendo das diferenças forças e das fragilidades oportunidades de melhoria. Para isto, muito tem contribuído a ação e o empenho dos seus profissionais (professores e funcionários), mas também a boa vontade e compreensão dos pais e das suas associações representativas, das autarquias e de todos os restantes parceiros, que são muitos. Temos recebido das associações de pais, das IPSSs, da Câmara e das Juntas de Freguesia, das empresas e de outros parceiros, um enorme apoio e colaboração, sem os quais seria tudo muito mais difícil.
E desvantagens?
Uma das principais desvantagens é a distância e a dispersão geográfica das escolas, que traz dificuldades ao nível da comunicação interna e custos acrescidos para os professores que, por vezes, infelizmente, têm de se deslocar para mais do que uma escola do agrupamento. Ainda assim, tem-se procurado implementar soluções que mitiguem um pouco algumas dessas dificuldades. Todos os professores, alunos, funcionários e pais dispõem de uma conta de email do próprio agrupamento que, de algum modo, permite minimizar o efeito da distância física e facilitar a comunicação e a resolução dos problemas. Por outro lado, não obstante os serviços administrativos estarem sedeados na ESMC, foi mantido em cada uma das antigas sedes de agrupamento (Aguada de Cima e Fermentelos) um polo administrativo que permite resolver os problemas prementes do dia-a-dia e evitar deslocações regulares para Águeda. Tudo tem sido feito para minimizar os efeitos da nova realidade organizacional na vida das famílias.
Quais são as suas maiores dores de cabeça?
As maiores dores de cabeça e as maiores dificuldades são criadas por quem está mais longe de nós: a administração educativa. Muitas vezes, em conversa com colegas do mesmo ofício, chegamos à conclusão que as escolas funcionam apesar do Ministério da Educação. A instabilidade e a incerteza nas decisões e a contante mudança de políticas e de orientações, a par de um quadro legislativo confuso e por vezes contraditório, são algumas das dificuldades com que as escolas se debatem.
É ou não adepto da Municipalização da Educação?
Por princípio não sou desfavorável à descentralização das funções do Estado. Relativamente à educação em particular, penso que se trata de matéria que carece de uma discussão e reflexão mais aprofundada, sem “funda VER EDIÇÃO SP IMPRESSA