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Milagre d'Urgueira: A festa serrana recuperada do passado

por redacção em Agosto 18,2014

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O Festival-Romaria Milagre d’ Urgueira é um dos festivais de folclore mais peculiares dos que se organizam aos milhares no verão português. A sua existência resulta de pesquisa histórica e o trabalho organizativo da Associação Etnográfica Os Serranos procura reconstituir a essência e o ambiente da velha romaria do século XIX, não esquecendo a lenda fantástica do funcionamento do forno e do homem que vai lá dentro para meter a broa.

A fé crente e a motivação religiosa são o alicerce de todas estas manifestações, por isso o programa começa na véspera, no sábado pelas 21 h, com o povo da Urgueira, de Macieira e os seus amigos a acompanhar o andor da Srª da Guia, desde a capela de S. Domingos até à sua ermida. O dia 24 de Agosto começa com a celebração festiva da devoção a Nossa Senhora da Guia, pelas 12 h, em missa campal junto à sua ermida, sob a sombra dos sobreiros, a árvore que anuncia a presença das aldeias nas encostas do Caramulo. Na sequência da missa, a procissão entre a ermida e o forno tem vindo a ser um momento que desperta grande sensibilidade mística e participação religiosa.

A gastronomia serrana está presente sob a forma da tradição do farnel, com iguarias que saíram dos usos ancestrais: bacalhau à posta frito com ovo, rojões, chouriça e salpicões, ovos cozidos, etc. Casos havia, em que se passava mal nos dias de trabalho, para guardar os sabores mais caprichosos e apresentáveis para um farnel romeiro. A cooperação da Confraria Enogastronómica Sabores do Botaréu exalta esta faceta da festa tradicional.

PROGRAMA
A missa campal será celebrada às 12.00 horas e segue-se a procissão da Senhora da Guia entre a ermida e o forno. No final, deverão estar reunidas condições para meter no forno a broa grande, que necessita do envolvimento do homem que vai desafiar a temperatura que se estima entre 250 e 300 ºC, com um cravo na boca, de acordo com a tradição secular.

A abertura dos farnéis é coisa que faz crescer a animação e, no final, por voltas das 15 h, estarão criadas condições para dar lugar à diversão do povo. As três eiras existentes no parque serão os pontos de encontro e de rivalidade simultânea entre os sete grupos de folclore que representam diversas regiões do país; o povo romeiro envolve esta animação e participa nela, com a disponibilidade dos grupos numa ou noutra das suas danças.

Os grupos de folclore escalonados para a edição deste ano serão:
Rancho Folclórico As Ceifeiras de Mesio (Lousada)
Rancho Folclórico de Cidado (Oliveira Azeméis)
Grupo Folclórico As Varinas de Ovar
Rancho Folc. Etnogr. Danças e Vozes d’Aldeia (Oliveira de Frades)
Rancho Folclórico As Capuchas S. João do Monte (Tondela)
Rancho Folclórico Regional de Quiaios (Figueira da Foz)
Rancho Folclórico de Geraldes (Peniche)

Quando chegarem as 18 horas estará na hora de arrumar os restos do farnel, na cesta ou na merenda, ganhando energia para a descer a serra, com a companhia do cair do sol sobre o azul do mar, que assistiu a tudo na distância do horizonte.


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