As manhas do poder para manter a clausura do povo
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Notícias de várias procedências confirmam, diariamente, que a dívida pública que todos esperávamos ver diminuída, depois de três anos de sacrifícios insuperáveis, está a aumentar e é, cada dia que passa, mais assustadora para os cidadãos minimamente responsáveis. Todavia, tenho na minha frente duas entrevistas, do dia 22 de Julho, de Frederico Fortunato presidente da APICCAPS (calçado) e Paulo Vaz, director da Associação Têxtil de Vestuário de Portugal (APT), que diz textualmente: “O problema é que as empresas, muitas, continuam a sofrer da escassez de mão d’obra, porque não há oferta válida, acentuando que a maior dificuldade é a falta de trabalhadores”.
Legislação laboral e 700 000 desempregados
Há dezenas de anos que venho alertando para a modificação da legislação, que impede a mobilidade da mão d’obra, e dos prejuízos que isso representa para a Sociedade e com a qual, os operários seriam também beneficiados. Foi principalmente por esta, mas também outras razões, que critiquei asperamente a euforia dos Bancos e dos Governos, por incitarem, até ao inconcebível, os operários a comprar casa própria pois, para além de todos os males, ela dificulta a sua mobilidade, nesta transformação contínua do mundo laboral e económico actual. Estes comentários frisam, objectivamente, uma parte do problema, que é a imobilidade do empregado. A outra parte são os gravames que esta e outras situações acarretam para a situação económica do país, motivada por as empresas que exportam quererem investir e criar mais emprego, mas não terem mão d’obra disponível, nem só em números mas, também qualidade. Todavia, clama-se que há 700 000 desempregados e outros tantos a receber subsídios com vários nomes, que incitam a não procurar emprego pois, para vergonha nossa, tem-se gasto, e continua cada vez mais a gastar-se, milhões em formações que só servem para “sossego” dos políticos que, assim, vão “consolidando” o “seu reinado e a cada vez maior, clausura do povo”.
Posições antagónicas
Assim, vamos assistindo a duas antagónicas posições: 1 - Os que estão usufruindo o poder ouvem e lêem, mas não comentam. 2 - Os que estão de fora e a maioria dos que, tendo o sentido das suas responsabilidades, dizem, ou escrevem, que o poder está podre, que o verdadeiro Povo está divorciado da política, o que é mau, porque não podemos viver sem ela, mas o divórcio é real e isso é demonstrado e acentua-se, a cada uma das eleições que se vem realizando! Concluindo: Todos dizem que está tudo cada vez pior e, infelizmente, dia a dia nos chegam novas e frustrantes afirmações. Ainda há dois dias um possível 1º. Ministro do Partido Socialista dizia não permitir a modificação de qualquer das leis que contribuem para este descalabro!
O que fazer?
Uma pergunta angustiada e em surdina sai da boca de todos os cidadãos responsáveis: o que vamos nós fazer para acabar com o “reinado” dos que escravizam o Povo e não têm intenções de mudar? E a desgraça da maioria dos que assim pensam, são os que, para cúmulo, se sacrificam e trabalham e, por isso, não têm tempo para fazer manifestações ou comícios. Concluo, com esta interrogação: Nós que mantemos o País com o nosso trabalho, empenho e visão do futuro não temos armas nem sabemos fazer revoluções, temos à nossa disposição a única arma legal: Pararmos todos para que, finalmente, se entenda que o País depende também de nós. A nenhum de nós agradará este pensamento… Mas confesso não me ocorrer, mesmo depois de longa meditação, qualquer outra solução!
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