A justiça e a saúde, Agitágueda e patentes
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Chegou a Águeda a febre dos chapéus de sol, ou de chuva, pendurados nas ruas que, pelo seu ineditismo, são admirados por milhares de visitantes. Alguns comerciantes mais perspicazes fazem o aproveitamento deste sucesso. As pastelarias apresentam pastéis de massa folhada com creme pasteleiro, com a forma e cor dos guarda-chuvas e ingredientes secretos. “Isto não é para substituir o pastel de Águeda de amêndoa, nem os sequilhos ou os fusis – explicava o Enriquecido da Trigal – mas como esta terra está a ser conhecida pelos chapéus, nós antecipámo-nos...”. O Egberto das Canas mandou fabricar serviços de jantar com os pratos e terrinas com o feitio das copas dos chapéus. O Acácio Queirós do Vale inventou um novo corte de cabelo, em forma de chapéu de chuva e, para isso, antes de começar a tosquia, põe uma tijela na cabeça do cliente e corta à volta. A Manuela dos Cacos, espreitando com sagacidade a oportunidade, tem expostas na sua loja umas pequenas peças cerâmicas, com íman para aplicar nas portas dos frigoríficos, com pinturas de guarda-chuvas de cores garridas e com a sigla “Agitágueda”. Os turistas que andam com o nariz no ar a fotografar os guarda-chuvas que cobrem a rua, acham graça aquelas pecinhas, que compram e levam de recordação. O E do Som Santificado do Clube da Venda Nova entrou na loja e disse à Manuela, cerimonioso: “Peço muita desculpa por perturbar o seu negócio, mas não pode utilizar o nome “Agitágueda” nos artigos expostos sem obter o prévio consentimento do Clube, isso é contrafação!”. A Manuela não gostou da observação, pôs as mãos nas ancas e empertigou-se: “Ouça lá, ó senhor E do Som, então esta festa não é para promover o comércio local? Tomaram vocês que eu venda muitas, para dar nome à terra e à festa, as peças são de porcelana de Limoges, pintadas à mão, só não estão assinadas pelo artista. E os ímans, até lhes chamam magnetes, foram importados das minas de Salomão! Ora desampare-me a loja, que já me está a chegar o fumo ao nariz!”. “Não se amofine, mulher, mas tem que passar pelo Clube para registar a patente”. “Ai essa conversa já me agrada, eu é que tive a ideia de criar estas peças, mas já há aqui na rua outras lojas a vendê-las, não têm mesmo vergonha nenhuma... são uns oportunistas! Vou lá passar para registar a patente e ficar com os direitos de autor!”.
Os membros da Juventude Laranja de Águeda andaram pelos corredores do Parlamento em Lisboa e, chegados a Águeda, perguntaram-lhe o que é que foram lá fazer. “Fomos agradecer ao grupo parlamentar da maioria todas as benfeitorias feitas por Águeda e pelo concelho”, respondeu o presidente Sérgio Nevoeiro. Por exemplo, “o fechamento das escolas da Piedade, Agadão, Belazaima e outras”. “Agora - acrescentou a Paula de Barrô, que os recebeu e acompanhou - as crianças dessas terras divertem-se nas viagens e têm a oportunidade de contactar com outras terras, outras culturas e civilizações. E os grupos de escolas têm as estruturas necessárias, laboratórios de química, física e astronomia e grande desenvolvimento da cibernética, electrónica e informática”. “E também agradecemos o que fez na Justiça – continuou o Sérgio Nevoeiro – o novo mapa judiciário dará a possibilidade às pessoas de espairecerem por Aveiro, Anadia e outras terras”. “E na Saúde – continuou o Silva dos Farolins - é louvável o cuidado e atenção que têm pelos cidadãos. O posto de saúde da minha terra, bem apetrechado com mesas e cadeiras, está fechado porque a titular encontra-se de licença de parto e a substituta está de férias, mas tiveram a atenção e a deferência de colarem na porta o letreiro: “Quem estiver doente que vá à Mourisca “! O Mário Martírios encolheu os ombros, com enfado, e disse: “Se tivessem mais respeito pelo povo, teriam escrito: “Se estiverem para morrer, chamem uma ambulância”!
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