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Á espera dos amanhãs que cantam

por Paulo Matos (Advogado) em Maro 19,2014

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O céu permanece cinzento, sedento de sol, da esperança que tarda.
As pessoas, atordoadas pelos efeitos da crise, protestam, clamam por justiça, individualizam-se, imolam-se nos seus pequenos e grandes dramas, e também interesses, na mesquinhez da perseguição alheia, no grito de revolta, no desafio à autoridade do Estado (patente na refrega de polícias contra polícias), esquecendo que o mundo mudou.
Os Estados não têm soberania financeira e as nações, cada vez mais multiculturais,  sentem a identidade perdida, o medo da guerra, a leste e a oeste, as agruras do Euro, o definhamento económico face ao domínio do Oriente, lugar para onde Portugal partiu com a globalização que trouxe novos mundos ao mundo.  

Insolvências

O Estado, primeiro, depois as empresas e as famílias insolvem perante o endividamento brutal que décadas de governos entrincheirados em partidarite aguda nunca controlaram.
Em Portugal, país talhado para a maledicência e a desvalorização do que é positivo, tanto se choram os que emigram como se desvalorizam os que regressam, com experiências adquiridas, com saber acumulado, como se desconfia dos que anunciam governar, prometendo destruir, por eleitoralismo congénito, o que outros ousam começar a construir.
Todos estão contra a corrente, pela sociedade estática, avessa à mudança.
Todos se têm revelado incapazes de mudar de hábitos, de práticas, de vícios, de trincheiras, de abdicar de prebendas, de privilégios, de concessões, da ganância.
Há sinais de abrandamento do poder do Estado omnipotente, de maior libertação da iniciativa de cidadãos e empresas. Mas o empobrecimento estratégico, face à divida pública e privada irresponsáveis, tolhem os movimentos de quem quer verdadeiramente mudar o país, as regiões, as autarquias.
Há ainda uma enorme dependência do poder político democrático, face a poderes fácticos, envoltos em constrangimentos atávicos, burocráticos, mais ou menos ocultos, em que sobreleva o interesse financeiro sobre o interesse público.
Os negócios do Estado, e com o Estado, de alguns agentes económicos em concorrência desleal permanente com quem ousa construir um caminho de liberdade, encontram ainda vasto campo de progressão.

Política de Águeda

Em Águeda, o poder e os poderes cristalizam, com regularidade programada, em torno de petições, regenerações, comemorações, eventos, evocações, celebrações.
O poder local, sem um desígnio e com um planeamento imediatista, continua a mendigar aquilo a que as populações têm direito, numa comunidade de destino: um hospital capaz de servir, um parque empresarial que receba empresas e tenha acessos rodoviários eficazes, uma estrada entre a capital do distrito ou da região do Baixo Vouga e o concelho de Águeda, que já foi dos mais industrializados do país, uma ligação à auto-estrada, um rio Águeda regularizado e com maior capacidade de absorver cheias.
Com os fundos da Europa, regenera-se a cidade, urbana, identitária, amiga do peão e da bicicleta, avessa ao automóvel e à poluição. No entanto, o desenho urbano, modernista, não raro saloio, está a ceder perante a realidade: o trânsito encalha, os materiais utilizados cedo se deterioram, a que também não é alheia falta de civismo típica de quem trata mal o que é de todos.
Consensualiza-se, por força das circunstâncias e da mudança do regime jurídico das autarquias locais, a necessidade de maior contratualização de obras com as freguesias agrupadas.
Saúda-se, finalmente, este banho de humildade descentralizadora!

O presidente da Câmara

Os cidadãos poupam, as empresas agonizam com falta de tesouraria, a mais moderna “autarquia” do país, com TV integrada mas de banda estreita, com Agenda 21 Local mas sem orçamento participativo, tem uma situação financeira sólida e programa uma aposta na Educação.
Para além do betão? Espera-se que sim, não obstante a necessidade de intervenção nas novas escolas, por força de má construção e planificação incompetente.
Depois dos vendavais do tempo e das agendas regulares da propaganda política, no cenário dos seminários, conferências, workshops, geminações, viagens, consagrações, e outras manifestações, muito centradas na figura do “Presidente”, está a chegar a época do glamour, com a comemoração dos 40 anos de democracia e também do poder local democrático.

Agonias financeiras

Depois do Abril próximo, que se espera farto em discursos e encenações, do velho rio dilacerado pelo castigo das chuvas, soprarão os ventos do Agitágueda e da Festa do Leitão, com o campeonato do mundo de futebol a abrasileirar a crise.
Os comerciantes, em agonia financeira, mas com a sua vetusta Associação renovada, fustigados por meses de obra mal programada na velha ponte sobre o Águeda, renovam a esperança, ainda envergonhada, nos amanhãs cujos cânticos se anunciam.
Tudo o que se fez de positivo é mérito do poder local em exercício há mais de oito anos.
Tudo o que não se fez e que o povo reclama dos seus representantes, é culpa do Governo que há dois anos e meio tenta pôr ordem num país pobre, mas de hábitos ricos há mais de 30 anos.
Espera-se que o céu volte a brilhar em Águeda!
n  PAULO MATOS
   *Advogado e membro da Assembleia        Municipal de Águeda


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