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Malefícios do economês

por Luisa (dra) Mello em Dezembro 27,2013

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Contrariando a minha natural e saudável decisão de mandar à fava telejornais, rimas de comentadores políticos de todas as áreas, engraçadinhos de todas as cores do arco-íris, dispus-me a assistir à entrevista que o 1º. ministro deu à TVI uma noite destas. O nosso 1º. ministro fala economês com muita fluência e, daí, não ter eu percebido grande parte das respostas e nem sequer das perguntas no mesmo idioma. Daí, também, que tenha passado grande parte do evento a ver a decoração da sala, sóbria e discreta como convém à memória de quem deve ter tido por ali poltrona, escalfeta, cortinas de cassa (que era um tecido alternativo) e sedas e cambraias mais exuberantes, uma mesa para efeitos práticos, talvez uma jarra com flores do jardim e a manta de pôr nos joelhos pelo arrefecimento nocturno. Bolas, perdi-me, o que faz a imaginação!
Volto à entrevista: fora alguns aspectos em que não estava analfabeta, e já falo nisso, fui apreciando o décor. Com o meu conservadorismo no que diz respeito a “etiquetas”, domínio em que já não passo dos mínimos, acabei por pôr-me a observar os entrevistadores. Hesito sempre em falar “do meu tempo”, que os meus filhos ralham comigo e é, na verdade, um desrespeito por esta esplendorosa vivência de hoje, mas a verdade é que no meu tempo era impensável que, mesmo em instalações mais modestas, se fosse entrevistar um 1º. ministro de barba “semeada” às três pancadas e camisa côr de burro quando foge “aberta no colarinho” (ele, jornalista da TSF) e de vestido de qualquer ordem religioso-laica e cabelo tão desmazelado e esfarrapiado como nunca a vi (ela, pivô da TVI). Como dizia um grande humorista dos princípios do século passado: “Esta gente bem educada sabe muito bem representar de mal educada”!!! O entrevistado, vá lá, estava trajado à 1º. ministro, sem ser Armani mas, ainda assim, passando sem o meu reparo.
Numa perspectiva do exterior do edifício, reparei que uma das janelas grandes do primeiro andar estava bem iluminada, de certo para a fotografia, o que é estar a gastar energia em tempos em que as suas facturas são cada vez mais dolorosas.
Pensei: o dr. Salazar deve estar às voltas na tumba, mas isso era ele que fazia questão de pagar do seu bolso, as despesas do andar em que habitava como António e não como 1º. Ministro. Mesquinhices?… Seja! Só falta agora dizer do tempo em que percebi mais da conversa e deixei a decoração. Duas coisas julgo ter percebido correctamente: - a) não sabíamos em 2011 qual o défice de 2010 e posso-me  permitir acrescentar um ponto de exclamação. Aos troikos, foi apresentado um défice de 5 e tal por cento, quando na realidade já se andava nos 10%. Se é verdade, não admira tanta severidade. Isto digo eu, que não percebo peva de engenhocas financeiras. - b) Não vai ser preciso segundo resgate. Basta o ponto final.
Também se  falou do já batido tema do programa cautelar e aí foi um “nim”. Suponho que a palavra cautelar vem de cautela e será assim como que “à cautela, porque somos um bocado” inimputáveis” em questões de gastos”, o melhor é que fiquem de olho em nós por mais um anito. Não sei que diga.

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