Clube da Venda Nova: Agora Águeda é que é linda
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Por opções editoriais ou por falta de colunas ocupadas por preclaros ensaístas e analistas da realidade política, social e até cómica, o Clube da Venda Nove hibernou e agora acordou no meio do labirinto de cardos e em plena sealy season que acabará este ano, todavia, só lá para o outono, depois de passado o arrebatamento e a frenose e a ansiedade dos candidatos, dos candidatos a candidatos, secretariados, comissões de ações para a visibilidade dos protagonistas, etc. Entretanto as obras urbanas evoluem e vão sendo inauguradas, pragmaticamente, na ocasião oportuna. O Acácio do Gás e o Pop-Line das Fotografias estavam à porta das lojas com o olhar distante e vago a ver os trabalhos: “Custou-nos muito estar aqui engaiolados atrás de barreiras de arame e de ferro durante tantos dias, mas este jardim e o espaço envolvente ficou bonito” - exclamava, embebecido, o Acácio. “Mas tenho muitas saudades daquela fonte que nos tiraram daqui” - retorquiu o Pop-Line, com acenos de cabeça com a cadência de quem recitava “Os Lusíadas” - “o murmurejar da água dos repuxos que era refrescante e que às vezes me salpicava os retratos e até lhes dava vida!”. “Ora, ora, deixe-se de discursos lamechas, aquela água era suja, reciclada, eu às vezes até vinha aqui despejar um pacote de detergente lava-louça para não criar bichos”, - disse, gaguejante, o Zé do Candeeiro, que se tinha aproximado - “e o Clube gastava uma fortuna em eletricidade para manter aquilo!”. Entretanto chegou o Seara Alheia, montado no seu jeep, que vinha de barba feita e camisa de tremoceiro tirar a fotografia para o cartaz de campanha: “Vocês têm que concordar que agora Águeda é que é linda, com a Rua da Venda Nova e a Rua de Cima da Baixa coberta de chapéus policromáticos de seda chinesa e bengalas de bambu, está cheia de fotógrafos e turistas”. “Mas se vem uma boa chuvada, os chapéus não se aguentam até às eleições... Nem os chapéus vos vão valer!” – exclamou o Luís Bastinhos, com uma gargalhada. “Por falar em eleições, no meio de tanta tristeza é agradável andar por aí e ver em cada rotunda rostos sorridentes, alegres, bem dispostos, utopistas, com sorrisos edénicos, sem um laivo de insegurança ou de incerteza” – disse a Luisinha do Mel, que tinha vindo buscar ao Pop Line umas fotografias de família. “E por cá já aparece a fotografia que delineia as formas do rosto e faz adivinhar os sentidos da Drª Paula de Barrô a afirmar o lema indefinível e insondável, “Todos Somos Águeda”” - acrescentou a Manuela dos Cacos. “Não, eu não sou de Águeda - interrompeu o Rolim Stones - “eu sou da Guarda, tenho que votar noutros”. A Céu Rinodente, que tinha ido com a Manuela dos Cacos à esteticista fazer as unhas, disse, encolhendo os ombros: “Eu só não acho bem aquele cartaz, que também é dos laranjas, que tem o desenho de uma chave de porcas, não sei que raio é que eles querem atarraxar!”.
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