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8752

por Celestino Viegas em Outubro 10,2012

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A crise tornou-se tema de conversa comum e não há volta a dar-lhe: vamos ter crise até não se sabe quando. Pior que tema de conversa, a crise sente-se, vive-se, apalpa-se e mede-se.  Está em todo o lado, nos bolsos, na conta bancária, nas facturas dos serviços essenciais, nos IVA´s e IRS’s do nosso desconsolo e até agora no IMI que, nalguns casos, se multiplica por 100, até por mil ou 2000.
1 - A minha mãe tem quase 92 anos e, há dias, dava-me conta que crise, crise... era antigamente, quando uma sardinha dava para três, ou quatro!  “Agora não há crise nenhuma, eu só vejo é a estragar...”. E explicou-me, com a sabedoria dos seus quase 92 natais, que ela própria nunca teve o que “a malta de agora tem”, nem o nível de vida de hoje se compara com o do seu tempo.
2 - Expliquei-lhe eu, ou tentei, que não era bem assim, que crise é perdermos coisa que se tinha.  E dei-lhe conta que o Estado roeu a corda ao acordo com os cidadãos, através da segurança social: pagávamos nós os nossos impostos e garantia-nos ele (o Estado) apoio na doença, no desemprego e na velhice. “Olhe que estamos a perder isso tudo e todos os dias nos aumentam os impostos”, disse-lhe eu, sem a convencer.
3 - A crise aí está, porém. O crédito mal parado das famílias e empresas aumenta assustadoramente. O valor das cobranças duvidosas, em Agosto, subiu para níveis nunca vistos. A banca tem 15,6 mil milhões de euros de crédito malparado - 6,39% do total dos empréstimos existentes (244,5 mil milhões).
4 - A crise que vivemos alterou, e vai alterar para sempre, o nosso modo de vida. Tínhamos facilidades a mais! Deram-nos qualidade de vida e empréstimos para tudo e mais alguma coisa e agora não se tem como cumprir!
5 - A crise existe, de facto, com contas e custos que nem ao diabo lembraria. Mas são contas que não interessam nada aos 92 anos da minha mãe. Os filhos, e muito mais os netos, é que terão de pensar seriamente no futuro que o Estado lhes hipotecou. n CV

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