O acordo ortográfico
Um dia destes, ao jantar, gerou-se grande debate entre jovens e menos jovens sobre o famigerado - digo eu! - Acordo Ortográfico luso-brasileiro. Os mais jovens porque não compreendiam o xarivari que rodeava a polémica. Os de idade já acumulada (na sua maioria) tentando explicar que a nossa escrita travestida com salpicos de brasileiro além de se nos tornar confusa (e até visível) ao correr das leituras, também se nos torna às vezes até desagradável. Que a Língua é dinámica, argumentavam eles. Dinâmica, sim, mas não ao ponto de deitarmos janela fora estruturas que lhes são esseciais, objectávamos nós. E nos exemplos vencíamos! Adoro de paixão - e aqui entro precisamente pelos brasis... - ouvir certas expressões que tornam a sua linguagem absolutamente típica e deliciosa. Ainda há bem pouco tempo ouvi um personagem de novela da Globo dizer para outro: “me amarrota que estou passado!“. Ou: “me colora que estou beige!“. Ou, para exprimir grande dificuldade: “estou metida na maior saia justa!“. Delícia! Se a coisa não tivesse a ver com a escrita era eu a mais acérrima defensora deste género inimitável de coloquialidade. Posto o problema como o foi em princípio de debate familiar, a coisa tem outra profundidade. Nem de propósito, no "Público" do dia seguinte deparei com um artigo sobre o tema, da autoria de um jovem dirigente associativo estudantil do Instituto Superior Técnico, de seu nome Pedro M. Afonso. Para maior facilidade explicativa transcreverei, com vossa licença, o que me pareceu mais expressivo. Aí vai!... “O escopo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, unificação do prestígio internacional, é quimérico. Uma alucinação (...) Este acordo foi forjado nas costas dos portugueses, à revelia dos seus interesses. (...) As diferentes variantes da L.P. distinguem-se não só pela grafia e fonética mas também pelo vocabulário e sintaxe frásica! Diferenças essas a que o A.O. não reponde e que qualquer norma ortográfica jamais consiguirá colmatar. Sob a égida da utópica unificação linguística o A.O. mutila e disfigura a ortografia da Língua Portuguesa e, juntamente, todo o valor histórico, cultural e identitário que cada variante encerra. (...) Um autêntico dislate que não assevera qualquer mais valia. O A.O. não é inevitável. Através de uma iniciativa legislativa de cidadões é possível libertarmo-nos dos seus grilhões. Saiba mais em www.ilcao.cedilha.net“. O autor tem o cuidado de nos informar que, caso não sejamos filólogos ou linguístas ele também não o é... Sabedor do que diz e sensato, é com certeza! n LUISA MELLO - 26-08-2012 P.S.: O que eu não consigo perceber, em português de cá, de lá, ou misturado, é o que se passa na Síria. É guerra civil? Ninguém se meta entre Abel e Caim? Espera-se, como de costume, pelos norte-americanos? Um dos candidatos à Presidência, que espero não ganhe, já ameaçou “tomar conta da situação“... Burro! Vai passar por vilão e mau da fita seja qual fôr o resultado... n LM
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