Ensino técnico em debate na Marques de Castilho
O magnífico auditório da Escola Secundária Marques de Castilho foi o palco de um interessante colóquio sobre o tema porventura mais decisivo do Ensino em Portugal: que fazer do Ensino Técnico, que quase desapareceu com esse erro monstro que foi a unificação dos Cursos em 1976 e que, 38 anos após o 25 de Abril, continua indefinido, sem caminhos claros a percorrer e – pior! – a não servir com razoável eficiência os superiores interesse dos portugueses?
Protagonista maior do colóquio, Joaquim Azevedo, director do Pólo do Porto da Universidade Católica Portuguesa, grande responsável pelo lançamento dos Cursos Profissionais e Técnico-Profissionais no início da década de oitenta – sem dúvida, a maior e melhor reforma do Ensino Técnico feita na Educação de que há memória, nos últimos séculos! – e com uma conhecida tese de doutoramento sobre as grandes decisões sobre o tema nos Sistemas Educativos dos países da Europa. Talvez por falta de divulgação, o colóquio teve apenas a presença de algumas dezenas de professores e representantes de empresas, o que nos parece manifestamente injusto para com a qualidade do seu animador e para a própria premência da discussão sobre o nosso ensino técnico As grandes conclusões centraram-se essencialmente no reconhecimento do erro que foi a unificação do Ensino em 1976 e o consequente desaparecimento dos tão importantes cursos técnicos herdados das antigas Escolas Industriais e Comerciais – desculpável, pensamos nós, em tempos de revolução… -, mas também na frustração de vermos todos que, 38 anos passados, os sucessivos Governos não encontraram ainda – mesmo sem a revolução… - um caminho a trilhar que sirva os reais interesses das sucessivas gerações que foram sendo formadas pelas Escolas deste país! O colóquio apontou para que a Escola se centre em dar respostas às motivações dos alunos nas diferentes áreas técnicas, não lhes apresentando soluções pré-definidas que lhes exigem elevados conhecimentos de Português, Matemática e outras disciplinas de formação geral que, mais adiante, os levam a abandonar as aulas. Resumindo, que a Escola finalmente autónoma das “invenções” dos edifícios de vidro de Lisboa, possa esquecer em grande parte os famosos “rankings” e os interesses corporativos do seu quadro de professores e que, de uma vez por todas, assuma que existe em função dos reais interesses dos alunos. n CC
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