O Núcleo de Aveiro da QUERCUS emitiu um comunicado sobre a decisão, que "não é nova, mas foi agora publicada em Diário da República" a Assembleia da República recomenda ao Governo que estude uma alternativa que viabilize a requalificação e modernização da linha férrea do Vouga, tendo como pressuposto a sua sustentabilidade".
O comunicado, na íntegra:
Esta linha do Vouga comunga dos mesmos problemas de ligações de transportes colectivos noutras zonas do País: os custos que tem a sua manutenção, tendo em conta a sua pouca utilização pela população. Se é verdade que o transporte público não tem que ser lucrativo, a verdade é que a subida dos preços e a diminuição da frequência das composições de comboios ou passagem de autocarros leva a que as pessoas usem cada vez mais o transporte próprio. Com a privatização dos serviços de transporte, um serviço que não dê lucro é imediatamente cancelado.
Há cada vez menos transporte público e cada vez mais transporte colectivo, sendo que este último apenas existe na medida em que tem uma grande utilização. Daí observarmos cada vez mais mudanças de horários, reduzindo a sua disponibilidade, e cada vez mais cancelamentos de ligações entre povoações, nomeadamente as que fazem a ligação ao interior, cada vez mais despovoado. É um ciclo que só pode ser quebrado por uma mudança de atitude de quem decide.
Mas quem decide precisa de estudos que sirvam de base a uma escolha. É nesse sentido que a Assembleia da República decidiu que o estudo a fazer tenha em conta:
a) O número de utilizadores desta linha e o custo efectivo por passageiro e quilómetro actuais;
b) O investimento realizado pela REFER nos últimos três anos, bem como as potenciais externalidades positivas ao nível social, económico e ambiental;
c) A eventual existência de entidades privadas interessadas na exploração da linha.
É bom recordar o que são as orientações da Comissão Europeia e da Agência Europeia do Ambiente em termos de uma correta política de transportes: deve-se incentivar a aposta no transporte ferroviário, em detrimento do transporte rodoviário e aéreo. Parece no entanto que Portugal passa ao lado destas orientações, continuando a dar prioridade aos investimentos na vertente rodoviária.
O Núcleo de Aveiro da QUERCUS disponibiliza-se desde já, ainda que restringido pelas dificuldades do seu trabalho 100% voluntário, a colaborar com quem vier a fazer esse estudo. E acima de tudo espera que o mesmo tenha alguma discussão pública, para não ser um “estudo de encomenda”, que venha apenas recolher argumentos, e falar de sinergias, no sentido que o governo pretende, que é o da redução dos gastos públicos a qualquer preço. Incluindo o preço da cada vez maior desertificação do interior e o preço da maior poluição.