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A meu pai, com ternura

por Manuel Armando (Padre) em Março 14,2012

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Quando, em cada manhã, de mansinho,
Pões os teus pés a caminho,
Eu sonho e, quase sem acordar,
Me lembro que vais trabalhar;
Angariar o pão de cada dia.
Reconheço que o fazes com a alegria
De pai inquieto e cuidadoso
Que leva um coração generoso
A suportar rigores e canseiras
E sulcando as reais esteiras
Que, mais tarde, também eu irei pisar,
 Pois no silêncio e entrega, em horas inteiras,
Sabes que me estás a ensinar.

Pensas em mim, todo o momento,
Suportas as fadigas da tua cruz;
E, porque me encaminhas e dás alento,
Sempre por ti peço ao Bom Jesus.
Imagino tua verdade na alegria
Da labuta dum pesado ofício.
Acredito aliviar teu sacrifício,
Levantando as mãos, numa Ave-maria.

No fim da tarde vens a chegar
E eu quero agradecer teu penar;
Por isso, ouvindo teus passos,
Atiro-me ao carinho dos teus braços
Enquanto, bem do fundo da alma, me sai
Um amor sincero e agradecido
Ao nosso Deus, por me ter concedido
O grande homem que tu és, meu Pai.

P. MANUEL ARMANDO
(Para o Dia do Pai, do Livro “Domingos de Luz e Poesia”)

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