A meu pai, com ternura
Quando, em cada manhã, de mansinho, Pões os teus pés a caminho, Eu sonho e, quase sem acordar, Me lembro que vais trabalhar; Angariar o pão de cada dia. Reconheço que o fazes com a alegria De pai inquieto e cuidadoso Que leva um coração generoso A suportar rigores e canseiras E sulcando as reais esteiras Que, mais tarde, também eu irei pisar, Pois no silêncio e entrega, em horas inteiras, Sabes que me estás a ensinar.
Pensas em mim, todo o momento, Suportas as fadigas da tua cruz; E, porque me encaminhas e dás alento, Sempre por ti peço ao Bom Jesus. Imagino tua verdade na alegria Da labuta dum pesado ofício. Acredito aliviar teu sacrifício, Levantando as mãos, numa Ave-maria.
No fim da tarde vens a chegar E eu quero agradecer teu penar; Por isso, ouvindo teus passos, Atiro-me ao carinho dos teus braços Enquanto, bem do fundo da alma, me sai Um amor sincero e agradecido Ao nosso Deus, por me ter concedido O grande homem que tu és, meu Pai.
P. MANUEL ARMANDO (Para o Dia do Pai, do Livro “Domingos de Luz e Poesia”)
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