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Estratégia: A velha Ponte do Vouga

por José Neves em Novembro 23,2011

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A velha ponte do Vouga, atravessada anos a fio por Portugal inteiro, cedeu, como se sabe no seu “arco” principal, numa destas noites da recém-chegada invernia outonal.
Substituída na década de oitenta com a construção da “nova ponte” , tinha sido interditada  há algum  tempo ao trânsito automóvel, após vistoria técnica, não sendo conhecidos, até hoje, que ideias ou projectos existiriam para  seu futuro.
Mas se a derrocada não trouxe vítimas a lamentar, já um coro de vozes se ergueu, censurando as sucessivas Câmaras, pelo abandono a que a velha ponte esteve votada, durante quase 30 anos, levando-a ao colapso e a um hipotético cenário de tragédia local, que felizmente se não concretizou.
Aqui chegados e enquanto os actuais responsáveis camarários se vão escudando na falta de dinheiro, sentenciando até a demolição total da estrutura e retirando, desse modo, aos seus vizinhos e amigos qualquer esperança na sua reabilitação, permitindo continuar a prestar serviços ás pessoas e ás suas necessidades de vida entre margens, valeria a pena perguntar afinal, quais foram as razões que levaram o poder local a deixar agonizar a velha ponte, numa “morte” lenta, até aos dias de hoje, abandonando-a à sua sorte e aos caprichos da natureza.
Num tempo em que muito se apregoa o património histórico e a importância da defesa e preservação dos caminhos do passado, bastariam estas razões para não nos termos esquecido dela, até agora e de sermos capazes, neste momento, para um rebate de consciência colectiva, não a crucificando ao aço das lâminas das rectro-escavadores, como propõe a actual gerência da Câmara de Águeda.
A velha ponte do Vouga aproximou margens, foi passagem de laços de gerações e exemplo da arte de construção do homem, na sua terrena peregrinação de vida.
Mas se os políticos querem deitar a ponte abaixo, façam-no já, não esperem por uma qualquer tempestade eleitoral, atirando as suas pedras nos palanques da demagogia e irresponsável negligencia.
Deixem-na morrer e descansar, ao menos desta vez, em paz.
Não é Beatriz? n JNS


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