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Salvemos a histórica ponte do Vouga

por Luis Seabra Lopes em Novembro 23,2011

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No passado dia 12 de Novembro, a ponte do Vouga ruiu parcialmente. Esteve em risco a vida de uma pessoa, que felizmente se salvou. Agora já se fala em demolir o resto da ponte.
Escrevo este artigo para defender de forma convicta e entusiasta que se promova uma união de esforços com vista a salvar a histórica ponte do Vouga. De todas as pontes antigas existentes em todo o distrito de Aveiro, a ponte que cruza o rio Vouga na freguesia de Lamas é de longe a mais importante do ponto de vista histórico. Em termos de simbolismo histórico, e por razões que vou explicar, ela está para a zona sul do distrito de Aveiro (Baixo Vouga) como o castelo da Feira está para o norte do distrito.
O cruzamento da estrada que ligava Lisboa ao Porto (Olisipo a Cale na época romana), e que se chamou sucessivamente estrada mourisca, estrada coimbrã e estrada real nos documentos medievais, sempre se fez naquele local. Mais para o litoral, o Vouga alargava muito, dificultando a travessia, e mais para o interior o terreno tornava-se mais acidentado, dificultando o trânsito. Aquela posição era estratégica também por se situar aproximadamente sobre a linha recta definida pelas cidades de Coimbra e Porto. E, como se não bastasse, aquele monte do Marnel que ali está junto à ponte, ele próprio de grande valor estratégico, foi povoado desde remotas épocas. Ali se situou o oppidum de Talabriga na época romana, e a civitas Marnel na época da reconquista cristã. O território de Talabriga estendia-se a todo o baixo Vouga, englobando nos seus limites a totalidade dos concelhos actuais de Aveiro, Albergaria-a-Velha, Águeda, Anadia, Ílhavo, Oliveira do Bairro e Vagos, e partes mais ou menos substanciais de vários outros concelhos limítrofes.
Não se sabe ao certo quando se iniciou a construção da ponte do Vouga. Sabe-se, sim, que esteve em construção na segunda metade do século XIII, existindo registos de donativos feitos em favor da sua conclusão (1262 e 1294). Sabe-se também que a construção da ponte do Mondego, junto a Coimbra, foi iniciada por Dom Afonso Henriques em 1132 e só foi terminada em finais do século XIII. Como se vê, dados os recursos disponíveis na época, a construção destas estruturas podia facilmente demorar muitas décadas. O que, aos olhos de hoje, pode parecer uma estrutura pequena, pode ter sido um feito da engenharia civil da época em que foi construída. A ponte do Vouga teve importantes intervenções no século XVI e no século XVIII, ficando então com 15 arcos. Afinal de contas, até é uma grande ponte, com muita história. Por ali passaram reis e exércitos, peregrinos e almocreves.
Junto à ponte do Vouga se formou o burgo de Vouga, sede do território medieval conhecido como Terra de Vouga, herdeira directa da Talabriga romana. Só em finais da idade média a vila de Aveiro ultrapassaria o burgo de Vouga no comando da região. Aquela freguesia de Lamas do Vouga é um poço de História que quase ninguém conhece nem valoriza. As ruínas romanas de Talábriga, no alto do monte, os restos do burgo de Vouga, as pontes do Vouga e do Marnel, a paisagem envolvente, tudo forma um conjunto de alta valia para toda a região do Baixo Vouga, e que poderia ser explorado também turisticamente de forma muito mais activa do que tem sido.
A importância, não só prática, como também simbólica, da ponte do Vouga foi tal que o próprio selo municipal de Vouga teve como motivo principal precisamente uma ponte. Por outras palavras: O símbolo heráldico de toda a região do Baixo Vouga era a ponte do Vouga. E assim era já no primeiro quartel do século XIV.
A defesa do património deve ser preocupação de todos e é obrigação do estado e das autarquias defender e preservar os vestígios do passado que tal o mereçam. É sem dúvida o caso da ponte do Vouga. Salve-se a ponte, ou pelo menos tenha-se bem a noção da dimensão da perda que será, se não for salva! n Luís Seabra Lopes

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