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O Italiano

por Eduardo Costa em Setembro 21,2011

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 “Porque chegaram a uma situação tão complicada, perto da bancarrota?!” 
Foi a pergunta que fez o amigo italiano, que casou há três décadas com uma emigrante portuguesa, que foi descobrir na Suiça, onde estava também emigrado.
À conversa, dissemos-lhe que Portugal há meio milhar de anos atrás, era dono de metade do mundo e que deixámos descendentes em todos os continentes! Tivemos na mão o monopólio do comércio com as Índias, o ouro do Brasil e as riquezas das colónias africanas até finais do século dezanove!
Para este italiano, não é fácil entender como é que um povo que revelou tanto valor no passado e que teve na mão tantas oportunidades, nunca as soube aproveitar: “Há trinta anos, quando visitei pela primeira vez Portugal, disse para a minha mulher: estamos num país com três décadas de atraso em relação à Europa!”
Lembrando que foi com o dinheiro da União Europeia que modernizamos Portugal, este italiano de Génova questionava: “O que fizeram a tanta riqueza que já tiveram nas mãos, porque não desenvolveu este país?!”
Os argumentos que fomos debitando não o convenceram.
“Chapa ganha, chapa gasta!”, disse um dos presentes, procurando, assim, que o amigo italiano entendesse a razão pela qual não temos cheta e estamos pejados de dívidas.
O italiano foi rápido a responder: “Agora vão ter que mudar de atitude!”
O nosso sorriso confundiu-o ainda mais: “Somos um povo de brandos costumes: esperamos sempre por um milagre! E esperamos sentados!”


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