O Italiano
“Porque chegaram a uma situação tão complicada, perto da bancarrota?!” Foi a pergunta que fez o amigo italiano, que casou há três décadas com uma emigrante portuguesa, que foi descobrir na Suiça, onde estava também emigrado. À conversa, dissemos-lhe que Portugal há meio milhar de anos atrás, era dono de metade do mundo e que deixámos descendentes em todos os continentes! Tivemos na mão o monopólio do comércio com as Índias, o ouro do Brasil e as riquezas das colónias africanas até finais do século dezanove! Para este italiano, não é fácil entender como é que um povo que revelou tanto valor no passado e que teve na mão tantas oportunidades, nunca as soube aproveitar: “Há trinta anos, quando visitei pela primeira vez Portugal, disse para a minha mulher: estamos num país com três décadas de atraso em relação à Europa!” Lembrando que foi com o dinheiro da União Europeia que modernizamos Portugal, este italiano de Génova questionava: “O que fizeram a tanta riqueza que já tiveram nas mãos, porque não desenvolveu este país?!” Os argumentos que fomos debitando não o convenceram. “Chapa ganha, chapa gasta!”, disse um dos presentes, procurando, assim, que o amigo italiano entendesse a razão pela qual não temos cheta e estamos pejados de dívidas. O italiano foi rápido a responder: “Agora vão ter que mudar de atitude!” O nosso sorriso confundiu-o ainda mais: “Somos um povo de brandos costumes: esperamos sempre por um milagre! E esperamos sentados!”
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