O Rei D. Diniz, O Adequado
Aconteceu, cá na nossa terra de Águeda, que o professor Sebastião Dias Lobo propôs aos seus alunos um trabalho para ser realizado em casa que evocasse o reinado de D. Diniz, sexto Rei de Portugal, filho de D. Beatriz e de D. Afonso III, “ O Bolonhês”. (Bolonhês porque vivera na corte de Bolonha durante dez anos). Este Rei Afonso III, além de conquistar os Algarves, transferiu a capital de Portugal, então em Coimbra, para Lisboa. Perante a proposta de trabalho, um amigo de infância, um aluno vivaço e desejoso de ficar bem visto, abeirou-se do professor, no fim da aula, e, ousadamente, perguntou--lhe, como quem não quer a coisa, qual seria o melhor título para a dita redação. O professor, diplomaticamente, e para não prejudicar os outros alunos, respondeu-lhe ou aconselhou, que o aluno devia dar ao texto um título adequado, pura e simplesmente. No dia seguinte, o trabalho de casa foi apresentado com o eloquente título ”D. DINIZ - O ADEQUADO” Porque não? Era um título, que, sem ser histórico ou adequado não era ofensivo. Só que, para respeitar o cabeçalho, o meu amigo explicitava e explicava que D. Diniz fora adequado porque……. e, nos porquês e nas razões é que a narrativa não era verdadeiramente a adequada. Claro que o professor não se zangou e apenas sorriu e, ainda hoje, sempre que encontro o autor de tão histórico texto, que se tornou um poeta com sucesso, evoco com gozo aquele episódio da nossa juventude, não sem antes lhe dar apertado abraço de amizade e de boas vindas,. O rei D. Diniz podia ter sido citado pela sua muita cultura e pelos versos que escreveu; podia ser recordado pelos seus vários amores pecaminosos e por ser, apesar disso, um marido ciumento de uma Santa, a Raínha Santa Isabel que, como se lembram, transformou as esmolas e moedas de ouro em rosas – “São rosas, Senhor, o que levo no meu regaço;”(ontem como hoje, talvez fosse preferível que o milagre transformasse as rosas em pão e ouro). Podia ainda D. Diniz ser apelidado de “O Lavrador” por ter mandado plantar ou semear o pinhal de Leiria e outras zonas da costa Atlântica, com o intuito de segurar, as areias das dunas, fertilizar os solos, proteger a produção agrícola e obter a matéria prima para a construção das futuras naus que levaram os portugueses até às ilhas, a África, ao norte da Europa, à Índia e ao Brasil. Como sabem, D. Diniz ficou, no registo da História de Portugal, com o cognome de “O LAVRADOR”, não só pelo Pinhal de Leiria, mas por outras medidas de protecção e desenvolvimento da agricultura. Mas, em função deste adequado cognome, eu, que me considerava vivaço e espertalhote, não me apercebi da existência das árvores na floresta; esqueci os navegadores e os barcos egípcios transportando as pedras e os escravos para a construção das célebres pirâmides; esqueci os cruzados que vieram de barco do Norte da Europa, na sua viagem para Jerusalém e que foram fundamentais para a conquista de Lisboa; esqueci os terríveis Vikings e não tomei a devida nota da história de D. Fuas Roupinho - o primeiro Almirante de Portugal, - que obviamente mandaram construir os barcos sem recorrer à madeira do Pinhal de Leiria, que ainda, não fora plantado. Em próximo número deste jornal recordarei esse grande fidalgo e herói português - D. Fuas Roupinho – mais conhecido pelo “milagre“ que o salvou de morte certa e pela pata do seu cavalo marcada no Sítio, na Nazaré, quando perseguia um veado, do que pelos serviços prestados a D. Afonso Henriques e a Portugal.
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