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O início da revolta

por Silva Pinto (dr.) em Outubro 07,2010

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Foram os moleiros, cujas azenhas aproveitam a força das águas para girarem as mós e transformar o grão dos cereais em farinha, os primeiros a notar que a água do rio Alfusqueiro, tinha uma cor estranha, e que os peixes rodopiavam à superfície em busca do ar e da vida.
Primeiro, foram os moleiros de Cambra, em A-dos-Ferreiros, depois os de Bolfiar e os da Borralha, que viram os peixes mortos ou moribundos a boiar. Eram grandes e pequenos, todos bons para assar, cozer ou fritar. Estava ali parte do seu alimento que se perdia e os empobrecia. E aquela cor esverdeada das águas, trazia perguntas e maus pressentimentos. Ali havia coisa ruim e perigosa, muito perigosa.
Na ponte de Bolfiar onde o Alfusqueiro nascido em Vermilhos no Caramulo, reforça o Agadão, as poldras, as pedras, que serviam às gentes do Candam para passarem o rio, a caminho da escola e de outras tarefas, estavam cobertas pela água onde pareciam descansar os peixes quase mortos E quando o rio Águeda engrossou e se estendeu pelos campos agrícolas, os arrendatários e proprietários dos terrenos que marginam o rio, homens e mulheres experimentados, temeram o pior, porque a água benfeitora dos terrenos depois de passar sob a ponte do Diabo, no Alfusqueiro, parecia estranha, tocada por Belzebu, com uma cor de enxofre, que trazia a maldição dos infernos.
E, os pais do Ramiro e do Aurélio do Candam, estremeceram e agoiraram uma tragédia. E a tragédia aconteceu. Os talos do milho ficaram castanhos, queimados, murchos, sem vida.
Morreram os peixes, morreu o milho, o feijão, as abóboras, o pasto e tudo o que era verde ficou castanho e “tísico”.
Os animais, bovinos, porcos, caprinos, coelhos e aves de capoeira, ficaram sem alimento e os humanos, eles também, ficaram sem alimento e sem o rendimento para pagar as terras arrendadas e outros encargos.
Vieram a saber, que junto ao rio, até Casal de Alvaro e Travassô a situação era idêntica.
Os donos dos terrenos, apesar de terem outros meios de subsistência no comércio, nos serviços, na função pública, inclusive os proprietários das Minas, Benjamim e Isac Camossa quiseram, tal como os seus caseiros e arrendatários saber a causa de tamanho cataclismo. Concluíram que o veneno, nascera, crescera e viera, rio abaixo, das Minas das Talhadas.
Desde 1894 até 14 de Julho de 1909, o nefasto acontecimento que destruía o labor, o suor e a esperança dos lavradores, ia acontecendo com maior ou menor gravidade.
Foi por isso que naquele dia, 14 de Julho de 1909, os lesados pelos malefícios das escorrências das Minas, residentes no Candam, na Borralha, no Sardão e na Corga de Recardães, se reuniram na casa do “Ti” Manuel Abrantes junto à capela de S. Tiago, santo protector dos exércitos de Portugal, na Borralha. Foram agricultores, carreiros e moleiros. Para alem de Manuel Abrantes, compareceram o Joaquim Farinha, o José Henriques Marques ( conhecido pelo Estaline ), o Abel Pereira (sogro de Manuel Martins de Almeida ), o Ti Caselho, o “Ti” Quintino (caseiro da casa do Redolho ), o Diamantino, o José e o Manuel (moleiros ), e alguns outros. Porque o anfitrião Manuel Abrantes era carpinteiro e pedreiro de profissão, a senha, o aviso, para as reuniões conspiratórias foi – É PAU! É PEDRA! – pau de carpinteiro, pedra de pedreiro. O Quintino, caseiro da Casa do Redolho, tocava o sino da capela da Borralha, com um toque especial.
Nessa reunião foi decidido, comunicar veementemente às autoridades locais o que estava a acontecer e exigir que os autarcas vissem, escutassem, falassem e actuassem com urgência para evitar males maiores.
Exigiam responsabilidades e apoios para as suas desgraças.
No próximo número, veremos como os jornais e políticos encararam o problema, e como eclodiu a violência justiceira do povo.

n SILVA PINTO

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