Os fogos florestais
O problema dos fogos florestais em Portugal foi mais uma vez este ano um factor de destruição de grande parte da nossa “floresta”! Os inúmeros incêndios voltaram a assolarar a floresta nacional, deixando-nos um profundo sentimento de pesar por esta calamidade nacional . É incompreensível que, num país onde o património florestal poderia ter um impacto muito positivo na economia do Estado, e a ter um valor ambiental fortíssimo, se continue a apostar em políticas reactivas, ao invés de politicas preventivas, como se esperaria de um governo responsável. Quantos mais soldados da paz terão que perder a vida e quantos hectares de floresta terão que se transformar em terra queimada, para que este governo tome consciência da importância da floresta? Questiono-me , também,sobre quando poderá o nosso País esperar uma política que vise o ordenamento florestal, a começar pelas áreas ardidas; que aposte na manutenção de uma floresta limpa, onde caminhos e aceiros limpos sejam uma realidade, manutenção essa, que pode ser levada a cabo por titulares de Rendimento Social de Inserção (mais conhecido por rendimento mínimo), e por alguns reclusos e desempregados. Esta medida não deve ser encarada como discriminatória, mas sim como integradora destas pessoas na sociedade; que promova o regresso das pessoas à floresta, apostando na revitalização das antigas casas florestais (saliento que muitas delas foram alvo beneficiações ainda há pouco tempo e hoje se encontram no abandono), cuja ocupação, por técnicos nas áreas das ciências florestais, deveria ser incentivada, garantindo, assim, a vigilância e planificação da gestão das áreas onde se inserem. Uma política que desburocratize os processos de criação e manutenção de Zonas de Intervenção Florestal e promova uma maior eficiência na gestão de florestas, impulsionando assim o alargamento das áreas de floresta limpa. Não compreendo porque é que, apesar de tantas debilidades na nossa floresta, o governo continua a travar a aplicação das verbas do PRODEF, pois, dos 441,3 milhões de euros, apenas foi investido um milhão em três dos seis anos de vigência do programa de apoio. De referir, ainda, a má gestão e aplicação do Fundo Florestal Permanente, fundo esse que gera cerca de 30 milhões de euros por ano a partir de uma eco taxa que incide sobre o consumo dos produtos petrolíferos e energéticos. Desde que foi criado já gerou cerca de 150 milhões de euros, o que daria para reflorestar cerca de 100 mil hectares ou limpar 200 mil hectares de floresta. No entanto, nem uma única árvore foi plantada com esse fundo, tendo sido maioritariamente aplicado no pagamento de técnicos de gabinetes. Por falar em técnicos de gabinetes, afirmou, há dias, o Secretário de Estado da Administração Interna , que o Estado tem a “intenção” de nacionalizar os terrenos que estão “a monte”. Posto isto, apetecia a tanta boa gente que cuida dos seus terrenos, perguntar: “E nós, que temos os terrenos limpos e asseados e como vizinho, um proprietário que não limpa e que não investe naquilo que é seu? - o Estado. Será que também não poderíamos, “privatizar”, ou melhor, tomar contar dos terrenos que o Estado têm a monte? Esperamos todos que algo seja feito pela floresta, pois, do jeito que vai dentro de algum tempo o que vamos ver na floresta do Estado será apenas “terra queimada”. n PEDRO VIDAL Presidente da Junta de Freguesia do Préstimo
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