TAP a mais
“Para a Tap é bom; para os passageiros é que é pior…” O funcionário comentava assim a confirmação: meia dúzia de passageiros iam ficar em terra no aeroporto de S. Paulo (Brasil) e não regressavam a Portugal naquele voo. Motivo: a TAP tinha vendido mais bilhetes do que o número de lugares do avião! A prática é conhecida por ‘overbooking’. A Eurolândia já criou novas regras para responsabilizar as companhias. Mas, pelos vistos, continua a compensar. O presidente da TAP, o brasileiro Fernando Pinto, disse há dias que as greves eram coisa do século passado. Merece ser lembrado que a falta de respeito pelos clientes é, de facto, coisa do passado. Mas para a TAP não! Vender mais bilhetes do que os que o avião comporta devia obrigar a compensar o passageiro pelos danos materiais e morais que lhe causa! Pelos danos reais! Isto significa que os governos também não estão muito empenhados em criar obrigações de respeito pelas pessoas. Nem pelo prejuízo que a um país causa, pois, em muitos casos, obriga a ausências prejudiciais às responsabilidades de quem tem que pagar Impostos. Já não basta o muito que pode acontecer a um passageiro e que não é responsabilidade directa de companhia aérea, como bagagens extraviadas ou atrasos por condições atmosféricas e outras! O responsável pelo balcão da TAP esforçava-se por fazer compreender o impossível de aceitar. Aguentava a irritação compreensível das vítimas do mau sistema em uso! No fim, já conformado com a situação, olhei o funcionário, que continuava a ouvir o que devia e o que não devia, dirigi-me a ele, estendi a mão, ele levantou a cabeça das tarefas em que estava e disse: “Desculpe os protestos que tem que suportar, pois você não tem a culpa!”. Ele esboçou um ar de agradecimento e disse: “Façam boa viagem!” n EC
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