Burrocracia...
por MJHM em Abril 22,2010
A “burrocracia” está para a vivência humana como o escalracho para a terra cultivada: se não temos cuidado, transformam-se em autênticas pragas, capazes de estrangular o que de positivo delas se esperava e desejava. Poucos de nós já deixámos de experimentar as garras das ervas daninhas que esterilizam a terra ou a estupidez de zelosos “burrocratas” que tudo complicam, dando a ideia de tudo poderem resolver, transformando o que era fácil na mais cretina exigência. Posso dar hoje um exemplo edificante do que acabo de escrever. Resido, felizmente (ou em princípio felizmente...) num dos mais aprazíveis locais do país chamado Estoril, que o génio e a intuição de Fausto de Figueiredo transformaram na Terra Prometida do turismo português Pesem embora certas deficiências, é razoável reconhecer que escasseiam locais em Portugal onde seja possível beneficiar de melhor qualidade de vida. Pois imagine-se que desde sábado passado até hoje (5ªfeira, 15 pelas 16 horas, está aberta, no meio do pavimento betuminoso uma autêntica cratera, sita no melhor local do Estoril, que só não rivaliza com a do vulcão da Islândia, agora em actividade, por (ainda?) não ter começado a expelir lava... Por constituir sério risco para o trânsito, minha mulher tomou a iniciativa de telefonar para a Câmara, a pedir providências. De atendedor ou atendedora, de atendedora ou atendedor, consegui finalmente à terceira tentativa dar conhecimento, a um dos ilustres representantes da burocracia local, do que estava a ocorrer. E só depois de fornecida a residência, o nome, a profissão, não sei bem se o cartão de contribuinte e o BI é que foi tomado conhecimento da situação!!! Até agora, 5ª. feira, 15 do corrente, às 17 horas, ninguém tinha aparecido para tapar o buraco. Desconhece certamente o funcionário atendedor que os buracos nas vias de tráfego automóvel devem ser tratados, como referia Alexandre Herculano, no que respeita aos incêndios: NÃO SE DISCUTEM. APAGAM-SE OS INCÊNDIOS E TAPAM-SE OS BURACOS. Estou plenamente convencido que o meu amigo António Capucho e presidente da edilidade de Cascais - cuja obra tem sido meritória – não deixará de actuar como Herculano aconselhou. Se não despedir o atendedor super-burocratizado, ao menos que lhe dê um valente puxão de orelhas !
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