É sempre bom esperar para ver!
Quando há anos a Câmara Municipal (CM) fez o arranjo da “praça” do tribunal, com aquele tanque, de arquitectura duvidosa, a fazer-nos lembrar aqueloutro aonde, em meninos, levávamos os animais a beber ao fim do dia, não gostámos da obra, como também não gostamos de outras arquitecturas que espalharam pelas praças e jardins da nossa cidade: Nada, mais estéril que o cimento armado! Mas habituados que estamos a respeitar as decisões de quem tem a capacidade (?), no mínimo, e responsabilidade para tomá-las, não fizemos comentários depreciativos. Preferimos esperar para ver no que é que iria dar a quantidade de palmeiras ali plantadas e, para isso, tivemos que esperar anos. Infelizmente, o que prevíamos, aconteceu! Aquele espaço, espaço nobre, diga-se, transformou-se, à medida que o tempo passava, num pedacinho de floresta tropical, a fazer-nos, locais de onde elas são originárias, e mesmo assim não recordamos ter visto nada de densidade comparável. Que falta de gosto! Disseram uns entendidos (?) que só faltava podá-las. Pois dizemos nós que, salvo raras excepções, as árvores são belas pela sua roupagem, não pelos seus troncos. Enquanto foram crescendo até ao metro, metro e meio de altura, eram bonitinhas, como tudo o que é pequenino, mas, ao crescerem até se tornarem gigantes, o resultado não podia ser pior. Um autêntico disparate a ensombrar toda aquela área, a esconder o edifício mais emblemático da nossa cidade! Os arquitectos responsáveis pelo arranjo dos espaços públicos têm várias obrigações e, uma delas é, para lá de ajustarem o arranjo ao histórico do local e da região, verem, antes de existir, o resultado do seu trabalho. Infelizmente, não viram! Nem vamos protestar nem reclamar pelo dinheiro gasto porque, na coisa pública, de pouco adiantam os nossos protestos. Pode gastar-se à tripa forra em mamarrachos, megalomanias e coisas ocultas que só os deuses sabem. Portanto, ninguém vai ser responsabilizado por isso. Nem os que erraram por inocência…, (será?), nem os que o fizeram por interesse, maldade e má formação! Mas vamos ao espaço em causa que, agora sim, está simples, com beleza de luz e cor, como não conhecemos outro na nossa cidade. Em nosso entender, é um arranjo, absolutamente adequado ao espaço e pode até transmitir, muita luz àquele elegante edifício em fundo e, quem sabe, influenciar de modo positivo as decisões ali tomadas. As palmeiras, ali, atrofiavam o astral dos utilizadores da balança e da espada! Hoje, publicamos o antes e o agora, com imagens captadas por um amador da fotografia, Orlando Pereira. Gostamos mais do agora, que mostra bem quanta razão têm os que mandaram fazer o novo arranjo, dentro de uma filosofia consentânea com a nossa região e quanta falta de razão tinham os que, num assomo de intelectualidade, trataram os responsáveis pela arrojada mudança como alguém cujas orelhas não os deixam ver para lá da ponta do nariz. Um filme que já tínhamos visto antes, com semelhantes protestos, as mesmas acusações e os mesmos argumentos, em relação às alterações do visual na Avenida 25 de Abril. Será que ainda não perceberam que não tinham razão? Ou falta-lhes a coragem de o reconhecer? Ou estariam as suas apreciações eivadas, ao ponto de inquinarem os seus comentários? Ao tempo, foi-nos pedida opinião, opinião de esplanada, entenda-se, acerca das obras em curso. Cautelosamente, guardamos a resposta para mais tarde, já que opinar sobre obras em curso é difícil, sem se conhecer o projecto. Mais difícil se torna para um leigo na matéria, como eu. Criticar, enquanto a obra está em curso, é dizer mal quando só ainda vemos o estaleiro. Há quem goste de aproveitar essa fase para exibir os seus conhecimentos, ou a sua ignorância (?). Nós preferimos, concluído que esteja o projecto, apreciar a obra. Se gostarmos ou virmos utilidade ao sentido que foi dado à obra, aplaudimos com a mesma frontalidade com que criticamos as obras de fachada e os projectos de que não gostamos, por inúteis até aos nossos olhos! Nós prometemos, para o fim, a nossa apreciação ao resultado do último arranjo e cá estamos a dar os parabéns a quem teve a brilhante ideia e o arrojo de transferir as palmeiras para local mais adequado, onde não sejam um sombrio pesadelo. Agora, a Praça do Tribunal é um lugar aprazível. É sempre bom, esperar para ver! n A.A. Silva - 2009-05-13
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